Mercado adia aposta em small caps mesmo com início da queda da Selic

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O patamar ainda elevado da Selic continua a restringir o desempenho de ações de médias e pequenas empresas na B3, mesmo após o início do ciclo de redução de juros em março. Profissionais do mercado veem espaço para recuperação, mas divergem sobre o momento ideal para ampliar posições nesse segmento.

Juro alto mantém pressão

Para Werner Roger, sócio-fundador e CIO da Trígono Capital, o investidor deve aguardar. “Não é hora de apostar em small caps”, afirma, destacando que a diferença de perfil entre o estrangeiro que aplica em Bolsa e o que busca renda fixa amplia o impacto da taxa básica sobre esses papéis.

Daniel Utsch, gestor da Nero Capital, concorda que ainda não é o momento de alocação máxima, mas admite uma exposição limitada para quem tolera maior risco. Ele lembra que o último pico de otimismo ocorreu entre junho e julho de 2021; desde então, o setor perdeu valor significativo.

Segundo Utsch, apenas um pacote que reúna juros mais baixos, melhora fiscal e cenário eleitoral favorável ao mercado poderia iniciar um ciclo de alta consistente. “Com a Selic entre 10% e 12% já haveria certa atratividade”, avalia.

Visões divergentes sobre o timing

Victor Bueno, analista da Nord Investimentos, também atribui o fraco desempenho à Selic, mas considera que investidores arrojados já podem ampliar compras de mid e small caps. Ele recomenda evitar companhias muito alavancadas ou excessivamente dependentes de indicadores macroeconômicos.

Desempenho comparativo

O contraste entre small caps e o índice principal se acentuou nos últimos cinco anos. Em março de 2021 a Selic estava em 2,75% ao ano; no mesmo mês de 2026, alcançou 14,75%. No período, o Ibovespa avançou 62,2%, enquanto o Índice Small Caps recuou 14,7%.

Todos os especialistas ressaltam que a forte volatilidade exige perfil de investimento agressivo e horizonte de longo prazo.

Construção divide opiniões

No setor imobiliário, as recomendações divergem. Bueno prefere construtoras voltadas para baixa e alta renda, evitando as de média renda. Utsch enxerga justamente nas empresas de médio padrão — como Eztec, Tecnisa, Even e Mitre — oportunidade de valorização, já que seus papéis pouco subiram recentemente.

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Imagem: Estadão Conteúdo via moneytimes.com.br

Roger acrescenta que o corte de juros pode favorecer grupos como Cyrela e Lavvi, e cita a Embraer como alternativa fora do segmento de construção.

Outros setores no radar

Bueno vê boas possibilidades em empresas ligadas ao agronegócio e, de forma seletiva, no varejo. Ele destaca Vulcabras, no ramo esportivo, e Vivara, no setor de joias, como casos de desempenho acima da média.

Tensão geopolítica pesa no curto prazo

Embora menos sensível ao cenário doméstico, o Ibovespa também pode sofrer pressões de curto prazo, alerta Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora. O conflito no Oriente Médio aumentou a busca global por renda fixa, mas o peso do petróleo no índice brasileiro tem limitado quedas mais acentuadas.

O fechamento do Estreito de Ormuz, responsável por 20% do fluxo mundial de petróleo, elevou o preço da commodity para acima de US$ 100. Mollo recomenda procurar companhias com fundamentos sólidos, como Taesa, e aponta o setor de seguros como potencial beneficiário caso a guerra se prolongue.

Apesar dos sinais iniciais de alívio na política monetária, a maioria dos gestores prefere cautela antes de ampliar de forma significativa a exposição a small caps.

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