O economista Alexandre Espírito Santo, sócio e economista-chefe da Way Investimentos e professor do IBMEC-RJ e da ESPM, defendeu a realização de estudos técnicos aprofundados antes de qualquer mudança na jornada de trabalho no Brasil. A posição foi apresentada após o Dia do Trabalho, comemorado na última sexta-feira (1º), quando o tema voltou a ganhar destaque.
Espírito Santo declarou ser, em princípio, favorável à troca do atual regime de seis dias de trabalho por um de cinco, preservando dois dias consecutivos de descanso. Segundo ele, a medida ampliaria o tempo livre dos trabalhadores para lazer, convivência familiar e formação profissional.
O economista alertou, porém, que a alteração pode elevar custos, pressionar a inflação, reduzir o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e aumentar a informalidade, especialmente no setor de serviços, um dos mais sensíveis a mudanças no número de horas trabalhadas.
Para Espírito Santo, a produtividade do trabalhador brasileiro — considerada inferior à de países desenvolvidos e de algumas nações latino-americanas — precisa ser analisada antes de ajustes na carga horária. Entre os fatores que limitam o desempenho, ele destacou:
De acordo com o economista, segmentos mais automatizados poderiam absorver a redução de jornada com menor impacto, enquanto áreas menos mecanizadas enfrentariam dificuldades maiores. Ele defendeu soluções adaptadas às características de cada setor.
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Espírito Santo reconheceu que a redução do tempo de trabalho pode melhorar a saúde e o equilíbrio entre vida pessoal e profissional, mas avaliou que esses ganhos só serão sustentáveis se acompanhados de avanços em produtividade, educação e inovação.
O economista comentou ainda declaração recente de Elon Musk, que prevê abundância gerada pela inteligência artificial e, por isso, classificaria a poupança para a aposentadoria como irrelevante. Espírito Santo manifestou receio de que ideias semelhantes levem jovens a subestimar a importância do estudo e do trabalho.
Para ele, discutir jornada de trabalho sem enfrentar entraves estruturais pode resultar em uma “jornada 0 x 0”, sem ganhos reais para trabalhadores e economia.