O fundo soberano da Noruega, avaliado em US$ 2,2 trilhões (R$ 10,88 trilhões) e considerado o maior do mundo, tem reduzido o engajamento direto com as companhias investidas em relação às mudanças climáticas, concluiu a ONG ambiental Framtiden i Vaare Hender (Futuro em Nossas Mãos) em relatório divulgado nesta terça-feira (5).
Desde 2022, o Norges Bank Investment Management (NBIM), gestor do fundo, exige que todas as cerca de 7.200 empresas da carteira atinjam emissões líquidas zero até 2050, alinhadas ao Acordo de Paris. Para isso, define expectativas aos conselhos de administração, vota em assembleias e pode desinvestir de companhias que não respondam.
A ONG examinou 23 votações consideradas prioritárias realizadas em 2025 em 12 petrolíferas que expandem a produção de óleo e gás — entre elas BP, Shell, Petrobras, Chevron e ExxonMobil. O NBIM se posicionou contra a reeleição de diretores em apenas três ocasiões, todas na Petrobras, ExxonMobil e Chevron.
“O histórico de votos do NBIM em 2025 revela uma preocupante falta de engajamento do maior investidor individual do planeta diante do risco climático”, afirmou Lucy Brooks, consultora de finanças sustentáveis da entidade. Segundo ela, as votações recentes indicam que o recuo pode tornar-se permanente.
Em nota, o NBIM declarou que continua esperando que as empresas de seu portfólio alinhem suas atividades a um caminho de emissões líquidas zero até 2050 e apresentem planos de transição confiáveis com prazos definidos. “A votação é uma das várias ferramentas disponíveis. Mantemos diálogo direto e extenso com as empresas, inclusive as maiores emissoras, com base em nossas expectativas climáticas”, informou.
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Brooks destacou ainda a atuação do fundo na assembleia geral da BP, em abril, como exemplo de falta de gestão ativa dos riscos financeiros relacionados ao clima. De acordo com a consultora, em três votações o NBIM apoiou o posicionamento do conselho da petroleira em vez de se unir a investidores que pediam maior transparência sobre a estratégia para combustíveis fósseis.
À época, o fundo justificou que não respaldaria propostas de acionistas consideradas excessivamente prescritivas quanto à estratégia ou operações da companhia. Nesta semana, reiterou que conselhos e equipes de gestão são responsáveis por decisões estratégicas e pela alocação de capital.
O NBIM já havia declarado anteriormente que mantém pressão sobre as empresas para reduzir a zero suas emissões de gases de efeito estufa até 2050 por considerar que o risco climático também representa risco financeiro.