São Paulo, 5 de março de 2024 – O fundo imobiliário Cartesia Recebíveis Imobiliários (CACR11) registrou nova desvalorização nesta terça-feira (5), encerrando o pregão a R$ 41,60, recuo de 11,51% em relação à véspera.
A queda amplia as perdas iniciadas na segunda-feira (4), quando as cotas despencaram 42,20% e fecharam a R$ 47,01. Na sexta-feira anterior (30), cada cota era negociada a R$ 81,33. Em 12 meses, a desvalorização chega a cerca de 56%, saindo de quase R$ 97 para o patamar atual.
O movimento negativo ocorre após o gestor do fundo anunciar a suspensão do pagamento de dividendos referentes a abril. A decisão foi tomada para reforçar o caixa diante de um cenário considerado mais desafiador para o crédito imobiliário.
O CACR11 concentra exposição em Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) atrelados a projetos de desenvolvimento ainda em fase inicial. Esse tipo de ativo tende a apresentar maior risco em períodos de juros elevados e desaceleração econômica.
Para Alexandre Pletes, head de renda variável da Faz Capital, fatores como taxas de juros altas, aumento dos custos de construção e dificuldade de financiamento podem atrasar obras e comprometer o fluxo de pagamentos dos CRIs. “Se a obra atrasa ou a venda não ocorre no ritmo previsto, o pagamento ao fundo também pode ser afetado”, observa.
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Pletes ressalta que a interrupção dos proventos costuma ser vista como sinal de alerta pelos investidores, sugerindo um possível nível de estresse na carteira.
Com o anúncio, o volume negociado das cotas saltou de uma média diária de cerca de R$ 1,5 milhão para mais de R$ 6 milhões, refletindo a forte saída de investidores.
O gestor do fundo ainda não divulgou detalhamento adicional sobre a carteira ou eventuais impactos específicos nos CRIs.