Um relatório divulgado pelo Federal Reserve Bank de Nova York mostra que a disparada dos preços da gasolina tem afetado de forma desigual os lares norte-americanos, com impacto mais severo sobre a população de menor renda.
Os custos da energia alcançaram em março o maior patamar dos últimos quatro anos. O aumento ocorreu após o fechamento do Estreito de Ormuz durante o conflito no Irã, ponto crítico por onde passa cerca de 20% do petróleo transportado por navios-tanque em todo o mundo.
A análise do Fed revela um comportamento em formato de “K” no consumo de combustível:
Dados da empresa de análises Numerator apontam que, em março, o gasto nominal total com gasolina no país subiu mais de 15%, saindo de 10% abaixo do nível de 2023 para 5,5% acima. No mesmo período, o consumo real caiu 3%. Já a pesquisa Advance Monthly Retail Trade Survey registrou avanço de 14,5% nas vendas dos postos.
Imagem: Eric Revell FOXBusiness via foxbusiness.com
O padrão observado repete, de forma ampliada, o que ocorreu em 2022 após a invasão da Ucrânia pela Rússia, segundo os economistas do Fed de Nova York. Eles destacam que, desta vez, a diferença entre as faixas de renda “se abriu muito mais” do que naquela ocasião.
Para os pesquisadores, lares com maior poder aquisitivo reduzem pouco o consumo e absorvem o preço mais alto, enquanto famílias de menor renda precisam cortar significativamente o volume adquirido, mesmo diante de gastos em alta.