Os fundos imobiliários voltaram a ganhar fôlego em abril. Impulsionado por expectativas de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, o Índice de Fundos de Investimentos Imobiliários (IFIX) da B3 avançou 1,53% no mês, acumulando alta de 4,10% em 2024 e de 15,2% nos últimos 12 meses.
A redução de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, confirmada em maio, manteve o juro básico em patamar considerado elevado. Enquanto cortes mais robustos não se materializam, fundos que aplicam em títulos atrelados ao CDI seguem beneficiados pelo rendimento ainda próximo de 14,50% ao ano. A alta da inflação, por sua vez, sustenta os rendimentos de veículos indexados ao IPCA.
Para o BB Investimentos, o conflito no Oriente Médio e o aumento do preço do petróleo ampliam o risco inflacionário, prolongando a manutenção de juros altos. Nesse cenário, o banco aposta em fundos de recebíveis imobiliários, capazes de capturar a aceleração do IPCA registrada em fevereiro (0,70%), março (0,88%) e projetada para abril (0,89%). Entre os fundos de “tijolo”, a preferência recai sobre carteiras diversificadas, com ativos de qualidade e contratos longos.
A Empiricus Research chama atenção para o impacto de juros elevados no setor imobiliário. O Índice Nacional do Custo da Construção (INCC) subiu 1,04% em abril e acumula 6,3% em 12 meses, pressionado por materiais como concreto, PVC e cimento. A gestora recorda que os FIIs expostos ao segmento residencial, majoritariamente via crédito, devem priorizar estratégias “high grade” e gestão ativa.
Oito casas — BB Investimentos, BTG Pactual, Empiricus Research, Genial Investimentos, Itaú BBA, Santander Brasil, Terra Investimentos e XP Investimentos — apontaram cinco carteiras como as mais atraentes para o mês. Logística e recebíveis concentram as preferências.
Fundos com maior número de indicações
Itaú BBA valoriza o portfólio de galpões do BRCO11, classificado como tecnicamente qualificado, bem localizado e locado a empresas de baixo risco. O fundo exibe dividend yield anualizado de 9,4%.
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BTG Pactual ressalta a presença do mesmo fundo em regiões consolidadas, o baixo índice de inadimplência e o potencial de ganhos adicionais com venda de ativos.
Santander Brasil vê o KNCR11 favorecido por juros elevados por período prolongado, estimando retorno em dividendos de 12,8% nos próximos 12 meses. O banco também destaca a recente captação de R$ 3,2 bilhões, que ampliou o caixa para novas aquisições.
XP Investimentos aponta que o MCCI11, após reciclagem de carteira e elevação da taxa média dos papéis, dispõe de reserva de R$ 0,22 por cota. A gestora projeta distribuição próxima de R$ 1,00 por cota no primeiro semestre, com ajuste posterior.
Santander Brasil ainda elege o VILG11 como favorito no segmento logístico, negociado com desconto aproximado de 9% frente a pares. O fundo possui 11 galpões, taxa de ocupação de 98% e 78% dos contratos vencendo apenas após 2028, o que pode garantir dividend yield em torno de 10% ao ano.
Com expectativas voltadas para a trajetória da Selic e para a evolução dos conflitos no Oriente Médio, as casas de análise mantêm preferência por estratégias defensivas, privilegiando fundos de logística bem localizados e carteiras de crédito com índices de qualidade elevados.