Dubai – O petroleiro de gás natural liquefeito (GNL) Al Kharaitiyat, operado pela QatarEnergy, cruzou o Estreito de Ormuz na manhã deste domingo (10) em direção ao Porto Qasim, no Paquistão. É a primeira embarcação do Catar a passar pela rota estratégica desde 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel deram início ao conflito com o Irã.
O trânsito do navio foi autorizado por Teerã como gesto de confiança a Doha e a Islamabad, que atuam como mediadores nas negociações, segundo fontes próximas às tratativas. Dados da consultoria marítima Kpler confirmam que a embarcação percorreu o estreito sem incidentes.
Enquanto isso, Washington aguarda a resposta iraniana a uma proposta destinada a encerrar formalmente as hostilidades e abrir caminho para discussões mais amplas, incluindo o programa nuclear do país. Em entrevista à emissora francesa LCI, a jornalista Margot Haddad relatou que o presidente dos EUA, Donald Trump, espera retorno “muito em breve”.
Após 48 horas de relativa calmaria, o Kuwait informou ter identificado vários drones hostis sobre seu território na madrugada de domingo. Na sexta-feira, os Emirados Árabes Unidos voltaram a ser alvo de ataques, e confrontos esporádicos entre forças iranianas e embarcações americanas foram registrados no estreito.
Teerã mantém restrições severas ao tráfego não iraniano na passagem que, antes da guerra, respondia por cerca de 20% do fornecimento mundial de petróleo. Parlamentares iranianos elaboram projeto de lei para formalizar o controle sobre a rota e impedir a navegação de países considerados hostis.
Com a viagem de Trump à China prevista para esta semana, cresce a pressão interna e externa para uma resolução do conflito, que já provocou crise global de energia. Ainda assim, aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) têm resistido a enviar navios à região sem um acordo de paz abrangente e respaldado internacionalmente.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, reuniu-se no sábado (9), em Miami, com o primeiro-ministro do Catar, Mohammed bin Abdulrahman al-Thani. Segundo nota do Departamento de Estado, ambos discutiram “ameaças à estabilidade no Oriente Médio”, sem menção direta ao Irã.
Imagem: Frank Ramspott via valorinveste.globo.com
Em Londres, o governo britânico anunciou o envio de um navio de guerra ao Oriente Médio para preparar uma possível missão multinacional de proteção à navegação, iniciativa coordenada com a França.
Enquanto isso, autoridades iranianas declararam à agência semioficial Tasnim que embarcações de países que acatam sanções dos EUA enfrentarão “dificuldades” para atravessar Ormuz. Washington, por sua vez, mantém bloqueio a navios iranianos desde o mês passado. Relatório atribuído à CIA indica que Teerã suportaria o impacto econômico por até quatro meses; um alto funcionário de inteligência negou a existência da análise.
Após reunião com a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, Rubio criticou a falta de apoio europeu e alertou para o precedente que seria criado caso o Irã consolide o controle sobre a rota marítima.
Mesmo com a incerteza diplomática e militar, a passagem segura do Al Kharaitiyat aliviou o Paquistão, que enfrentava blecautes após a interrupção de suas importações de gás.