O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) já desembolsou cerca de R$ 49,4 bilhões para 2,5 milhões de credores afetados pelas liquidações extrajudiciais do conglomerado Master, do Will Bank e do Banco Pleno. A operação, iniciada entre novembro de 2025 e fevereiro de 2026, é a maior já executada pelo fundo.
O FGC é uma entidade privada que garante parte dos depósitos e investimentos de varejo em caso de quebra de uma instituição financeira. O limite padrão é de R$ 250 mil por CPF por instituição financeira, com teto global de R$ 1 milhão renovado a cada quatro anos. Entram na cobertura aplicações comuns entre investidores iniciantes, como CDB, LCI, LCA, contas de pagamento e depósitos à vista.
Ao acionar o fundo, o investidor não precisa entrar com ação judicial: basta seguir o passo a passo indicado no aplicativo ou no site do FGC quando o processo de liquidação é aberto.
As intervenções no Master, no Will Bank e no Pleno ocorreram após investigações identificarem irregularidades societárias e crise de liquidez nas instituições ligadas ao grupo do empresário Daniel Vorcaro. O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial — mecanismo usado quando as dívidas superam a capacidade de pagamento do banco — entre novembro de 2025 e fevereiro de 2026.
A dimensão dos três casos levantou dúvidas no mercado sobre a capacidade de caixa do FGC. Para fazer frente aos compromissos, o fundo antecipou 60 meses de contribuições ordinárias dos bancos, reforçando seu patrimônio em R$ 32,5 bilhões. Até agora, o fluxo de pagamentos se mantém dentro do cronograma, reduzindo o risco sistêmico e a pressão sobre a confiança dos investidores de renda fixa.
Imagem: Reprodução | Trader Iniciante
Com juros básicos acima de dois dígitos ao longo de 2025, muitos investidores migraram para CDBs e outros títulos bancários em busca de taxas superiores ao CDI. A sequência de liquidações mostrou que rentabilidade maior costuma vir acompanhada de risco maior de emissor. Mesmo assim, a atuação do FGC ajuda a manter a atratividade da renda fixa ao reduzir o risco de perda total.
Para o mercado, o avanço dos pagamentos sinaliza que o fundo continua solvente, fator relevante num momento em que a inflação segue acima da meta e a Selic só deve iniciar ciclo de queda quando houver recuo consistente dos índices de preços. Enquanto isso, produtos cobertos pelo FGC devem seguir no radar de investidores conservadores, mas com atenção redobrada à saúde financeira dos bancos emissores.
As próximas etapas envolvem concluir os 2,13% restantes no conglomerado Master e acelerar, junto ao Will Bank, a liberação para o universo de clientes com até R$ 1.000 a receber — grupo que concentra o maior número de pessoas, mas o menor volume financeiro.
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