Bancos travam crédito diante de calote recorde e Selic alta

Ricardo AlmeidaRicardo AlmeidaMercado Financeiro17 horas atrás9 Visualizações

O primeiro trimestre de 2026 trouxe uma combinação de fatores que esfriou o mercado de crédito no Brasil. Endividamento familiar recorde, conflito no Oriente Médio, juros de dois dígitos e um surto de recuperações judiciais no agronegócio levaram os principais bancos a reforçar suas provisões contra calotes e a reduzir o apetite por operações de maior risco.

Por que o crédito ficou mais caro?

  • Selic em 14,5%: como a taxa básica de juros serve de referência para o custo do dinheiro na economia, qualquer empréstimo tende a ficar mais caro quando a Selic está elevada.
  • Inflação em alta: o IPCA acumulou 4,39% em 12 meses até abril e pode chegar a 4,91% no fim do ano, segundo expectativas de mercado. Preços mais altos reduzem a renda disponível do consumidor e elevam o risco de inadimplência.
  • Incerteza externa: a guerra envolvendo o Irã pressiona o preço dos combustíveis e adiciona volatilidade ao cenário global, o que normalmente encarece as fontes de financiamento.

O que mudou nos balanços dos bancos

Itaú Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil, Caixa, Santander e Nubank destinaram R$ 60,2 bilhões a provisões entre janeiro e março, 45,5% acima do mesmo período de 2025. Desde 2025, o Banco Central passou a exigir que as instituições provisionem o valor correspondente à perda esperada—medida que antecipa o impacto do calote no resultado.

Mesmo sem aumento expressivo na inadimplência, executivos dos maiores bancos adotaram um tom de cautela. Nos comentários de resultados, citaram a “necessidade de disciplina” (Itaú) e um “cenário que piorou” (Bradesco).

Famílias no limite de crédito

O endividamento das famílias alcançou 49,9% da renda em fevereiro, novo recorde da série do Banco Central iniciada em 2005. Ainda que a massa salarial esteja crescendo, a pressão dos preços impede melhora na capacidade de pagamento. O programa Desenrola 2.0 deve aliviar dívidas de menor valor, mas não inclui contas de água, luz ou telefone, limitando seu alcance.

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Imagem: Reprodução | Trader Iniciante

Agronegócio pressiona bancos públicos

Após a quebra da safra de 2024 e a alta nos custos de insumos, produtores recorreram em massa à recuperação judicial. No Banco do Brasil, atrasos acima de 90 dias no agro subiram para 6,22% da carteira. Na Caixa, a inadimplência rural saltou para 18,29%. A perspectiva de um novo El Niño mantém o risco climático no radar.

Efeitos práticos para o investidor

  • Ações de bancos: maior provisão pesa no lucro de curto prazo, mas preserva a solidez das instituições. Oscilações são comuns em períodos de aperto de crédito.
  • Renda fixa: a Selic elevada mantém o CDI e títulos públicos indexados à taxa básica em patamares atrativos para quem busca menor volatilidade.
  • Bolsa em geral: a menor oferta de crédito costuma desacelerar o consumo e os investimentos corporativos, o que pode afetar setores dependentes de financiamento.
  • Dólar e juros externos: expectativa de alta nos juros dos Estados Unidos pode fortalecer a moeda americana, pressionando importados e a própria inflação doméstica.

Enquanto a combinação de inflação resistente e juros altos persistir, é provável que os bancos continuem seletivos, favorecendo clientes de menor risco e encurtando prazos de financiamento. Para o investidor, acompanhar os indicadores de inadimplência, a trajetória da Selic e o impacto da guerra nos preços de energia ajuda a entender por que o crédito segue caro — e por que essa condição pode durar mais alguns trimestres.

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