Corretoras japonesas aceleram criação de fundos de criptoativos para investidores de varejo

Lucas FerreiraLucas FerreiraCriptomoedas9 horas atrás12 Visualizações

Três das maiores corretoras do Japão — SBI Securities, Rakuten Securities e Nomura — estão trabalhando para lançar fundos de investimento em criptomoedas voltados ao público de varejo. A iniciativa avança em meio à revisão da lei japonesa que passará a permitir que investment trusts mantenham ativos como Bitcoin (BTC) e Ethereum (ETH) até 2028.

O que muda para o investidor japonês?

Hoje, quem deseja negociar cripto no Japão precisa abrir conta em uma exchange ou configurar uma carteira digital. Com a chegada dos fundos:

  • O investidor poderá comprar cotas usando a mesma conta onde já aplica em ações ou renda fixa.
  • Relatórios, tributação e custódia ficarão concentrados na corretora, simplificando a experiência.
  • Haverá produtos tanto no formato tradicional de fundo aberto (investment trust) quanto ETFs, que negociam em Bolsa como uma ação.

Para quem está começando, isso reduz barreiras técnicas e pode ampliar a exposição a criptomoedas sem a necessidade de gerenciar chaves privadas.

Por que as corretoras se movimentam agora?

A Autoridade de Serviços Financeiros do Japão (FSA) pretende incluir cripto na lista de “bens especificados” da Lei dos Fundos de Investimento. Paralelamente, o país já reclas­sificou os criptoativos como instrumentos financeiros, enquadrando-os em normas semelhantes às de ações e títulos públicos.

Esse ambiente regulatório mais claro abre espaço para:

  • SBI Securities e sua gestora do grupo, a SBI Global Asset Management, estruturarem ETFs e fundos de BTC e ETH totalmente internos, do desenvolvimento à distribuição.
  • Rakuten Securities criar produtos que poderão ser comprados pelo próprio aplicativo de investimentos da companhia.
  • Nomura, Daiwa e o grupo SMBC (via SMBC Nikko) planejarem ofertas semelhantes, enquanto a Asset Management One, ligada ao Mizuho, avalia o mercado.

Efeito sobre o mercado global de cripto

O Japão é um dos mercados financeiros mais regulados do mundo. A entrada de instituições tradicionais costuma servir de sinal para outros reguladores asiáticos e até para a SEC nos Estados Unidos. Se ETFs à vista de cripto forem aprovados em Tóquio, a liquidez global pode aumentar, impactando preços e volatilidade em outras praças — inclusive na B3, onde já existem BDRs de ETFs lastreados em Bitcoin.

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Imagem: Reprodução | Trader Iniciante

Para o investidor brasileiro, ainda que o produto japonês não esteja acessível diretamente, vale acompanhar:

  • A migração de capital institucional para cripto, algo que tende a influenciar a cotação do dólar — variável que afeta quem aplica em Tesouro Direto indexado à moeda ou em fundos cambiais.
  • O diálogo regulatório: mudanças bem-sucedidas no Japão podem acelerar debates sobre regulamentação de cripto no Brasil, atualmente conduzidos pela CVM e pelo Banco Central.
  • A correlação entre juros globais e apetite a ativos de risco. Com a Selic em processo de queda gradual, parte dos investidores locais busca diversificação internacional; fundos japoneses podem servir de referência de custo e estrutura.

Próximos passos previstos

  • 2026-2027: tramitação final da emenda que equipara cripto a outros instrumentos financeiros.
  • 2028: entrada em vigor das mudanças na Lei dos Fundos de Investimento e possível liberação de ETFs de cripto.

Nesse cenário, grupos como a SBI já anunciaram intenção de lançar um ETF composto por Bitcoin e XRP, além de um produto híbrido ouro-cripto, sinalizando que a diversificação será palavra-chave.

Glossário rápido

  • Investment trust: fundo de investimento aberto popular no Japão, semelhante aos fundos multimercado brasileiros.
  • ETF (Exchange Traded Fund): fundo negociado em Bolsa cujo preço varia ao longo do pregão, permitindo comprar ou vender cotas como se fossem ações.
  • Custódia: guarda segura dos ativos. Em fundos, fica a cargo de uma instituição financeira, reduzindo o risco de perda de chaves privadas.

Enquanto o marco regulatório não é finalizado, as corretoras japonesas correm para estar prontas no dia em que a porta se abrir oficialmente. Para o investidor global, o movimento reforça a tese de que a tokenização de ativos e a integração entre finanças tradicionais e cripto ganharão velocidade nos próximos anos.

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