Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta segunda-feira (18) aponta que 68% dos brasileiros defendem o fim da escala 6×1 — regime que prevê um dia de folga a cada seis trabalhados. Entre os entrevistados, 22% são contrários e 7% não souberam responder. O levantamento ouviu 2.004 pessoas entre 8 e 11 de maio, com margem de erro de dois pontos percentuais.
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), pretende pautar nos dias 26 e 27 de maio a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata do tema, além de um projeto de lei enviado pelo Executivo. Após conversa com o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, o entendimento é votar os dois textos em sequência para agilizar a tramitação.
No Senado, o presidente Davi Alcolumbre (União-AP) sinalizou que levará a matéria ao plenário na semana seguinte, caso seja aprovada pelos deputados. Parlamentares trabalham, portanto, com um cronograma que pode encerrar a votação até meados de junho — prazo considerado curto para matérias constitucionais.
Para investidores, a principal dúvida é o efeito da jornada menor sobre custos trabalhistas. Empresas intensivas em mão de obra — varejo, construção, serviços terceirizados — podem precisar contratar mais funcionários ou pagar horas extras, pressionando margens. Por outro lado, defensores da medida citam ganhos de produtividade e redução de absenteísmo que poderiam compensar parte dos gastos.
Se os custos subirem e forem repassados a preços, o impacto pode aparecer na inflação, variável central para as decisões da taxa Selic. Um ambiente de inflação mais alta tende a adiar cortes de juros, o que afeta tanto a renda fixa atrelada ao CDI quanto o valor presente das ações na Bolsa.
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O relator da PEC, deputado Léo Prates (Republicanos-BA), mantém conversas com representantes de empregadores. Há pressão por algum tipo de compensação, mas o ministro Luiz Marinho já descartou incentivos fiscais ou redução de impostos. O tema deve voltar na votação em plenário.
Quem acompanha o mercado pode ficar atento a três frentes:
Embora o apoio popular permaneça elevado — oscilou de 72% para 68% desde dezembro — a tramitação de mudanças constitucionais costuma exigir articulação política robusta. O desfecho pode influenciar expectativas de inflação, política monetária e, indiretamente, o desempenho de ações e títulos públicos. Para investidores iniciantes, vale acompanhar o tema como parte do panorama macroeconômico, sem perder de vista que decisões de alocação devem considerar objetivos e perfil de risco de cada pessoa.
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