O capital internacional voltou a enxergar atratividade nos fundos imobiliários (FIIs) listados na B3. Depois de ingressar mais de R$ 53 bilhões em ações no primeiro trimestre de 2026, investidores estrangeiros aumentaram sua fatia no volume negociado de FIIs para 24%, ante 17% em janeiro.
Dois fatores explicam essa mudança de humor. Primeiro, a Selic segue em patamar elevado – mesmo após o corte de março para 14,75% ao ano –, o que preserva um juro real considerado alto em comparação a economias desenvolvidas. Segundo, o fortalecimento do real, com momentos próximos de R$ 5 por dólar, melhora a tradução dos rendimentos dos FIIs para moeda forte. Para o estrangeiro, isso reduz o risco cambial na hora de converter os dividendos mensais típicos desses fundos.
Em abril, quatro carteiras concentraram grande parte das ordens de fora:
Esses fundos chamam atenção por apresentarem liquidez acima da média do setor, atributo valorizado por grandes instituições que precisam entrar e sair de posições sem impactar excessivamente o preço.
Apesar da valorização de 2,5% no primeiro trimestre, o IFIX – índice que reúne os FIIs mais negociados – segue descontado em relação ao valor patrimonial das carteiras. Para quem investe de fora, isso significa comprar ativos reais (galpões, shoppings, agências bancárias) com “rebate” e rendimento potencialmente superior ao de títulos de renda fixa de países desenvolvidos.
Imagem: Reprodução | Trader Iniciante
Especialistas citados no mercado apontam que a continuidade do ciclo de queda da Selic, combinada à maior profundidade de mercado, pode acelerar o fluxo. Quanto mais negócios acontecem, mais fácil fica para fundos estrangeiros alocarem montantes relevantes.
Hoje existem ETFs atrelados ao IFIX, como o XFIX11, que replicam uma cesta de FIIs e permitem ao estrangeiro comprar tudo de uma vez. Contudo, o patrimônio sob gestão desses veículos ainda é pequeno, funcionando mais como “ponte” inicial do que como grande porta de entrada. Ganhos de escala, conforme a liquidez aumenta, tendem a reduzir esse obstáculo.
Para quem dá os primeiros passos em FIIs, entender como variáveis macro – Selic, dólar e liquidez – se conectam ao comportamento dos fundos ajuda a interpretar movimentos de preço sem confundir fluxo de curto prazo com fundamentos de longo prazo.
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