O investidor que abriu o pregão desta terça-feira (19) encontrou um cenário pouco convidativo a risco. A combinação de juros americanos em alta, petróleo acima de US$ 100 e incertezas políticas internas puxou o Ibovespa para 174.279 pontos, queda de 1,5% – o menor fechamento desde 21 de janeiro. O giro financeiro atingiu R$ 20,3 bilhões, cerca de 11% acima da média dos últimos 12 meses.
A taxa do Treasury de 30 anos saltou para 5,19%, maior patamar desde julho de 2007. Títulos do governo dos Estados Unidos são a referência global de menor risco: quando sua remuneração sobe, o investimento em ativos mais arriscados perde atratividade.
O gatilho para essa mudança foi a percepção de inflação mais persistente, alimentada pela manutenção do petróleo acima de US$ 100 após o fechamento do Estreito de Ormuz no conflito entre EUA e Irã.
Quando o prêmio pago pela renda fixa americana cresce, parte do capital internacional migra para os EUA, retirando dólares de mercados emergentes. O dólar à vista subiu 0,85%, para R$ 5,04.
No mercado de juros local, os contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) incorporaram o novo cenário:
Prazos mais longos refletem, além do ambiente externo, dúvidas internas sobre contas públicas e o rumo da política monetária brasileira. A expectativa de cortes adicionais na Selic perdeu força; parte do mercado já fala em apenas ajustes marginais antes de a taxa estacionar próxima de 13,5%.
Com a tese dos “juros mais baixos logo” em xeque, investidores estrangeiros vêm reduzindo posição em ações brasileiras: entre 1º e 15 de maio, as saídas líquidas somaram R$ 9,64 bilhões. Na sessão, 74 das 79 ações do índice fecharam em queda, mostrando venda generalizada.
Imagem: Christine Balderas
Setores sensíveis a juros, como varejo e construção, lideraram as perdas. Papéis defensivos, a exemplo de empresas de energia elétrica, também recuaram, evidenciando que a aversão ao risco foi ampla.
Ambientes de juros globais mais altos tendem a aumentar a volatilidade da B3 e a fortalecer o dólar. Para quem aplica em renda variável, oscilações mais fortes podem ocorrer. Já quem possui exposição ao exterior por meio de fundos internacionais ou BDRs sente o efeito da moeda americana valorizada.
Na renda fixa doméstica, títulos indexados ao CDI ou à Selic passam a oferecer retorno real mais atraente, enquanto papéis prefixados ficam mais sensíveis à possibilidade de a Selic cair menos do que se imaginava.
O quadro ainda pode mudar, mas, por ora, a máxima “quando os EUA espirram, o mundo pega resfriado” volta a ficar evidente nos terminais de negociação.
Use as ferramentas gratuitas do Trader Iniciante para simular investimentos, acompanhar o Tesouro Direto e consultar resultados atualizados.