O aperto observado nos spreads de crédito nas primeiras semanas do ano começou a se dissipar. Segundo Felipe Thut, head de renda fixa do Bradesco BBI, o prêmio pago pelas companhias em títulos atrelados ao CDI voltou a cair e já se encontra abaixo do patamar registrado na eleição de 2022. Com isso, a expectativa é de que as empresas retornem ao mercado de capitais para captar recursos.
Spreads são o “extra” que o investidor exige acima de uma taxa de referência – no Brasil, normalmente o CDI. Em janeiro, eventos pontuais de crédito elevaram esse prêmio para aproximadamente 1 ponto percentual em papéis de companhias com rating AAA e prazo médio de três anos e meio. Hoje, o mesmo spread gira em torno de 0,75 ponto, comparado aos 1,33 ponto observados em 2022.
A redução indica menor percepção de risco e, portanto, custo mais baixo para as empresas emitirem debêntures ou notas comerciais. Para o investidor, o retorno potencial encolhe, mas a normalização de preços tende a aumentar a liquidez do mercado secundário.
Historicamente, anos eleitorais costumam trazer cautela ao crédito privado. Thut, porém, avalia que 2026 (ano-base da entrevista) mostra dinâmica distinta. O Banco Central já iniciou um ciclo de cortes na Selic e a inflação permanece estável dentro da meta. Isso reduz a incerteza sobre o custo futuro da dívida, variável crucial para precificar emissões corporativas.
O Bradesco BBI projeta queda de 10% a 20% no volume total de captações em 2026 frente ao recorde de R$ 737,7 bilhões de 2025, mas ainda assim antevê mercado “bastante ativo”. Parte dessa demanda virá de:
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Do lado das obrigações, apenas R$ 29 bilhões em debêntures vencem neste ano, número considerado administrável por bancos e companhias. Em 2027, o montante sobe para R$ 51 bilhões, mas o alongamento já realizado pelas empresas diminui o risco de refinanciamento.
A janela internacional segue aberta. Depois do recorde de US$ 35 bilhões emitidos em 2025, a projeção é de algo em torno de US$ 30 bilhões em 2026. Nomes com amplo reconhecimento global, como Rede D’Or e JBS, já obtiveram spreads considerados baixos em relação às Treasuries, apontou Thut.
Em síntese, a normalização dos spreads devolve fôlego ao crédito privado brasileiro, mesmo em meio à volatilidade típica de um ano eleitoral. Para o investidor, o momento exige equilíbrio entre apetite a risco e retorno esperado, além de atenção redobrada à qualidade das empresas emissoras.
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