O Bitcoin (BTC) voltou a atrair o interesse dos traders profissionais. Dados de corretoras globais mostram crescimento nas posições “long” – que lucram com a valorização do ativo – ainda que o cenário macroeconômico norte-americano aponte para juros possivelmente mais altos.
Posições compradas ganham espaço
- O índice long/short dos principais clientes da Binance ficou 8% favorável às compras por três dias consecutivos.
- Na OKX, traders reduziram posições vendidas entre quarta e quinta-feira, elevando o nível de confiança no suporte de US$ 76 mil.
- No mercado de futuros perpétuos, a taxa de financiamento anualizada voltou a 7%, sinal de equilíbrio após a semana anterior, quando quem estava vendido chegou a pagar 13% para manter a aposta.
Apesar da melhora, o indicador long/short em valores absolutos ainda é considerado neutro, mostrando que o otimismo é cauteloso.
Pressão macroeconômica nos EUA
Do lado oposto, os fundamentos macro jogam contra um rali imediato:
- O Walmart revisou para baixo suas projeções de 2027, citando consumidores de baixa renda sob pressão; as ações caíram 7%.
- O petróleo Brent permanece acima de US$ 95 com a guerra envolvendo o Irã e o estreitamento do Estreito de Ormuz, adicionando pressão inflacionária.
- Probabilidades implícitas de alta dos Fed Funds até setembro saltaram de 0% para 37% em um mês, segundo o CME FedWatch Tool.
- Fundos de índice (ETFs) de Bitcoin listados nos EUA registram saídas líquidas de US$ 2,07 bilhões desde 12 de maio, indicando menor demanda institucional.
Juros mais altos nos EUA tendem a fortalecer o dólar mundialmente e tornam aplicações de renda fixa norte-americanas mais atrativas, o que historicamente pesa sobre ativos de risco como Bitcoin e ações de tecnologia.
Imagem: Reprodução | Trader Iniciante
O que isso significa para o investidor brasileiro
Para quem investe do Brasil, o movimento reforça duas mensagens:
- A volatilidade do Bitcoin continua fortemente ligada à política de juros dos EUA e ao apetite global por risco.
- Oscilações do dólar podem amplificar ganhos ou perdas em reais, uma vez que a criptomoeda é precificada majoritariamente na moeda norte-americana.
- No curto prazo, a sustentação do suporte de US$ 76 mil é vista pelos traders globais como ponto-chave; uma perda consistente desse nível pode aumentar a pressão vendedora.
Fatores a monitorar
- Decisões e discursos do Federal Reserve sobre a trajetória dos Fed Funds.
- Evolução dos preços do petróleo e seus reflexos na inflação internacional.
- Fluxo de capital nos ETFs de Bitcoin – novos resgates podem sinalizar cautela institucional.
- Taxas de financiamento nos mercados futuros: mudança para campo negativo indicaria retorno da predominância dos vendidos.
Por ora, o mercado mostra uma trégua: redução de shorts, funding equilibrado e defesa do suporte. Se o macro permitir e a demanda institucional melhorar, parte dos traders aposta que o Bitcoin poderá testar regiões próximas a US$ 82 mil – mas o caminho continua cercado de dados econômicos sensíveis.