Uma isenção anunciada pela Securities and Exchange Commission (SEC) dos Estados Unidos permitirá que plataformas de terceiros listem ações tokenizadas – representações digitais de papéis já negociados em bolsas como NYSE e Nasdaq – sem a necessidade de consentimento da empresa emissora. A medida, parte de um programa batizado de “innovation exemption”, ainda precisa de detalhes finais, mas já provocou reação entre analistas de mercado tradicional e de criptoativos.
Até aqui, a negociação de ações tokenizadas ocorria em escala limitada, geralmente fora dos EUA ou em projetos-piloto. Com a dispensa regulatória:
Para Ryan Yoon, diretor da Tiger Research, o principal problema está na fragmentação de liquidez. Se o mesmo papel ganhar múltiplas versões em diferentes blockchains, o volume que antes se concentrava numa única bolsa se espalharia por várias plataformas, gerando:
Outra consequência é a fragmentação de receita. Parte das taxas hoje arrecadadas por NYSE e Nasdaq poderia migrar para DEXs estrangeiras, reduzindo competitividade das bolsas domésticas, segundo Yoon.
A capitalização de Real-World Assets (RWA) – ativos do mundo real representados em blockchain – já alcançou patamar recorde. Somente na DEX Hyperliquid, o interesse aberto em RWAs chegou a US$ 2,6 bilhões nesta semana. Apesar disso, as ações tokenizadas respondem por apenas 4,4% desse universo, mostram números da plataforma RWA.xyz.
Maja Vujinovic, CEO de ativos digitais da FG Nexus, alerta para a possibilidade de “piscinas desconectadas”, nas quais faltam compradores locais para equilibrar preços. Nesse cenário, podem surgir erros de marcação e vulnerabilidades como o shadow-shorting – venda a descoberto sem lastro suficiente.
Já o analista Brian Vieten, da Siebert Financial, enxerga a medida como aceleradora da migração do sistema financeiro dos EUA para infraestrutura on-chain.
Imagem: Reprodução | Trader Iniciante
Quem opera BDRs ou ETFs internacionais na B3 pode ficar tentado a acessar tokens de ações americanas pela via cripto. Antes de considerar essa alternativa, vale observar que:
Esses atrativos podem ser relevantes em um cenário de Selic em queda, quando investidores buscam diversificação fora da renda fixa. Contudo, o segmento ainda é novo e carrega riscos operacionais e regulatórios.
A SEC deve publicar nos próximos meses as regras finais, incluindo limites e requisitos de transparência. A comissária Hester Peirce já adiantou que as autorizações serão restritas a tokens que representem exatamente a ação existente no mercado secundário, sem alterar direitos do acionista.
Enquanto isso, bolsas tradicionais, reguladores e investidores acompanham de perto como a novidade pode redesenhar o fluxo de capitais entre Wall Street e o universo cripto.
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