Déficit agrícola dos EUA deve chegar a US$ 29 bi e reforça disputa por mercado com o Brasil

Ricardo AlmeidaRicardo AlmeidaMercado Financeiro15 minutos atrás7 Visualizações

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda) atualizou as projeções para o ano fiscal 2025/26 e manteve a balança comercial do agronegócio americano no vermelho. As exportações devem somar US$ 176,5 bilhões, enquanto as importações devem atingir US$ 205,5 bilhões, gerando um déficit de US$ 29 bilhões.

O que está por trás do rombo

  • Produção doméstica estável limita o excedente exportável.
  • Menor demanda da China após tensões comerciais iniciadas no governo Donald Trump.
  • Importações em alta, inclusive de produtos brasileiros, que já somam US$ 568 milhões no atual ano fiscal, 35% acima do período anterior.

Queda das compras chinesas

A China, maior importadora de alimentos do mundo, comprou US$ 36 bilhões em produtos agropecuários dos EUA em 2022. Para 2025/26, o Usda projeta apenas US$ 12 bilhões. Mesmo com promessa chinesa de elevar as compras a US$ 17 bilhões, os dados parciais (outubro/25 a março/26) mostram embarques de apenas US$ 6,9 bilhões.

Impacto sobre principais commodities

  • Soja: exportações americanas recuaram para US$ 12,4 bilhões nos seis primeiros meses do ano fiscal, ante US$ 16,8 bilhões em igual período anterior.
  • Carnes: também em queda, afetadas por consumo doméstico mais fraco e maior concorrência externa.
  • Milho: única exceção, com aumento de vendas ao exterior.

Efeitos nos preços globais de alimentos

Choques geopolíticos — como a escalada de tensão entre EUA e Irã — já pressionam as cotações internacionais de grãos e óleos vegetais. Segundo economistas do Federal Reserve de Nova York, 10 % dos consumidores americanos relatam dificuldade para comprar alimentos suficientes, ante 4 % em 2020. Esse cenário adiciona volatilidade aos preços, o que costuma afetar inflação e expectativa de juros, inclusive em economias emergentes como o Brasil.

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Imagem: Reprodução | Trader Iniciante

Reflexos para o investidor brasileiro

  • A manutenção do déficit americano fortalece a posição exportadora do Brasil em soja, milho e carnes, mas também pode elevar a concorrência em mercados como Vietnã, onde os EUA ganharam espaço.
  • Preços internacionais mais firmes reforçam a receita de empresas listadas na B3 ligadas ao agronegócio, mas aumentam o custo de produção para setores que dependem de insumos agrícolas.
  • Alimentos mais caros tendem a pesar no IPCA, potencialmente influenciando as próximas decisões de Selic e o retorno de aplicações indexadas à inflação.

Outros destaques do agro

  • Trigo no Paraná: o Deral estima área 13 % menor (722 mil ha) e produção 18 % menor (2,4 mi t) em 2024, reduzindo a oferta interna.
  • Biocombustíveis: volatilidade do petróleo diminui a competitividade do etanol de milho e do biodiesel de soja, segundo a Datagro, tema relevante para quem acompanha ações e fundos ligados a bioenergia.

Para o pequeno investidor, acompanhar o comportamento das balanças agrícolas das grandes economias ajuda a entender a formação de preços das commodities e seus efeitos em ações, renda fixa indexada à inflação e até no câmbio. Manter-se informado sobre safras, demanda global e políticas comerciais continua essencial em um cenário de incertezas e juros ainda elevados no mundo.

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