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Três dos principais democratas do Congresso dos Estados Unidos — os senadores Bernie Sanders e Elizabeth Warren e o deputado Bobby Scott — enviaram carta ao Departamento do Trabalho solicitando a retirada de uma proposta que permitiria a inclusão de criptomoedas e outros ativos alternativos em planos de aposentadoria 401(k).
O 401(k) é o equivalente norte-americano aos planos de previdência complementar brasileiros. Nele, o trabalhador aplica parte do salário em investimentos escolhidos pelo administrador do plano, contando, em muitos casos, com contrapartida da empresa empregadora. Segundo o Investment Company Institute, esses veículos somavam cerca de US$ 10,1 trilhão em dezembro.
A proposta do Departamento do Trabalho — inspirada em ordem executiva de agosto de 2025 — abriria espaço para que gestores oferecessem, além de ações e títulos tradicionais, fatias em fundos de private equity, crédito privado e criptoativos.
Assim como no Brasil, participantes de planos de previdência normalmente buscam segurança e previsibilidade. A entrada de ativos alternativos aumenta o potencial de retorno, mas também amplia o risco de perdas expressivas, especialmente em períodos de estresse de mercado.
Para quem está começando, entender a diferença de perfil de risco é crucial:
Nos últimos anos, o Federal Reserve elevou os juros para conter a inflação nos EUA. Nesse ambiente, muitos participantes migraram parte da carteira para renda fixa, atraídos por retornos mais altos e menor risco. Abrir o leque para ativos alternativos justamente agora pode provocar um deslocamento de recursos de títulos conservadores para aplicações de maior volatilidade, alterando o equilíbrio de risco dos planos.
Imagem: Reprodução | Trader Iniciante
Se a proposta avançar, a indústria de cripto ganharia um canal direto a uma das maiores fontes de capital do mundo: a poupança previdenciária. A simples discussão já mostra como o setor tenta romper barreiras institucionais. Por outro lado, uma eventual suspensão, como pedem os parlamentares, manteria as criptomoedas fora do ambiente regulado dos 401(k), limitando sua penetração em perfis de investimento conservadores.
No mercado doméstico, fundos de pensão e planos PGBL/VGBL seguem regras que restringem o percentual em ativos de maior risco. Desde 2021, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) permite que fundos brasileiros comprem até 20% em criptoativos, mas a prática ainda é incipiente e concentrada em veículos para investidores qualificados. A discussão nos EUA reforça o debate local sobre até que ponto produtos de aposentadoria devem buscar diversificação em ativos não tradicionais.
Enquanto o Departamento do Trabalho analisa o pedido dos legisladores, gestores e participantes de 401(k) aguardam clareza regulatória. Para o investidor comum — seja nos EUA ou no Brasil —, o episódio destaca a importância de conhecer o nível de risco de cada classe de ativo antes de decidir onde alocar a reserva para a aposentadoria.
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