Bitcoin exibe sobrevenda mais forte desde 2020 e mercado testa defesa dos US$ 60 mil

Lucas FerreiraLucas FerreiraCriptomoedas10 horas atrás8 Visualizações

O Bitcoin (BTC) chegou ao fim de semana exibindo o índice de força relativa (RSI) diário em torno de 15,5 – leitura mais baixa desde o pânico causado pela Covid-19 em março de 2020. Na prática, o indicador sugere que a maior criptomoeda do mercado entrou em território de sobrevenda extrema, condição que historicamente antecedeu repiques significativos.

O que é o RSI e por que 15,5 chama atenção

O RSI mede a velocidade e a variação dos preços em uma escala de 0 a 100. Leituras abaixo de 30 indicam que a pressão vendedora pode ter ido longe demais. Quando o indicador mergulha na região de 15 pontos, como agora, sinaliza exaustão de vendedores – um terreno onde compradores de curto prazo costumam testar entradas.

  • Em março de 2020, RSI parecido precedeu alta de cerca de 50% após as medidas de liquidez do Federal Reserve.
  • Em fevereiro de 2026, queda do RSI a 15,8 foi seguida por recuperação próxima de 30%, sem grande gatilho macroeconômico.

Defesa dos US$ 60 mil é ponto-chave

Apesar da correção de aproximadamente 30% no último mês – puxada por tensão geopolítica, petróleo mais caro e menor expectativa de corte de juros nos EUA em 2026 – o BTC não perdeu de forma consistente a região de US$ 60 mil. Analistas veem nesse patamar um suporte psicológico importante. Se mantido, o preço pode buscar a média móvel exponencial de 20 dias, hoje perto de US$ 70.650.

Por outro lado, um rompimento firme abaixo de US$ 60 mil abriria espaço para quedas até a faixa intermediária dos US$ 50 mil, onde novos sinais de sobrevenda poderiam aparecer.

Dor dos holders de curto prazo atinge recorde

Dados da plataforma Checkonchain mostram que detentores de BTC há menos de cinco meses realizam, no agregado, as maiores perdas já registradas. Quando esse grupo capitula, costuma indicar proximidade de fundo – comportamento parecido com o observado após a falência da FTX em 2022, quando o preço se estabilizou perto de US$ 15.500 antes de avançar 690% rumo a máximas históricas.

Além disso, cerca de 5,3 milhões de unidades em mãos de investidores de longo prazo também estão “no vermelho”, algo visto pela última vez no pico de medo da Covid-19.

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Imagem: Reprodução | Trader Iniciante

O que o investidor brasileiro deve observar

No Brasil, a maior parte das carteiras de iniciantes concentra-se em renda fixa atrelada ao CDI. Com os juros básicos ainda em patamar elevado, o custo de oportunidade para assumir risco em cripto segue alto. Por isso, eventuais repiques do Bitcoin tendem a atrair primeiro perfis que já acompanham o ativo no dia a dia.

Quem opera via corretoras locais deve acompanhar:

  • Variações do dólar, que afetam o preço do BTC em reais;
  • Decisões de política monetária do Banco Central brasileiro e do Federal Reserve;
  • Níveis de suporte mencionados internacionalmente (US$ 60 mil e US$ 50 mil);
  • Liquidez do par BTC/BRL, ainda menor que no par em dólar, o que pode aumentar a volatilidade.

Momento pede cautela e informação

A análise técnica sugere espaço para alívio, mas o cenário macro – com incerteza sobre juros nos EUA e o avanço dos preços de energia – segue limitando o apetite por ativos de risco. Para o investidor iniciante, entender como indicadores como o RSI se comportam e como níveis de suporte funcionam ajuda a evitar decisões tomadas apenas pelo sentimento de euforia ou pânico.

Como sempre, movimentos passados não garantem resultados futuros. Criptomoedas apresentam alta volatilidade e podem não se encaixar em todos os perfis de risco.

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