Guerra eleva custo do querosene e Latam reduz ritmo de expansão no Brasil

Ricardo AlmeidaRicardo AlmeidaMercado Financeiro18 horas atrás7 Visualizações

A Latam Airlines reviu para baixo sua projeção de capacidade no mercado brasileiro para o terceiro trimestre de 2026. O crescimento previsto caiu de 11% para 8% em relação ao mesmo período de 2025, segundo o CEO Jerome Cadier. O ajuste é resposta direta à escalada nos preços do petróleo provocada pela guerra envolvendo Estados Unidos e Irã, que encareceu o querosene de aviação (QAV).

Capacidade menor, mas ainda positiva

Apesar do corte de três pontos percentuais, a companhia continua a planejar expansão. A estratégia adotada foi reduzir frequências — inclusive na ponte aérea Rio–São Paulo — sem eliminar rotas. Para o passageiro, isso se traduz em menos opções de horários e, possivelmente, em passagens mais caras enquanto o combustível permanecer pressionado.

Por que o petróleo pesa tanto no setor aéreo

  • O QAV responde por até um terço dos custos operacionais de uma companhia aérea.
  • A Latam trabalhava com o barril a US$ 90; agora projeta US$ 170 no segundo e no terceiro trimestres e US$ 150 no fim de 2026.
  • Mesmo que o conflito termine, a empresa calcula um intervalo de 6 a 12 meses para que os preços recuem, devido a gargalos de produção e logística.

Para investidores, isso significa margens comprimidas num momento em que o setor ainda se recupera dos efeitos da pandemia e da alta de juros globais.

Impacto nas finanças da companhia

  • Prejuízo direto de US$ 40 milhões no 1º trimestre de 2026 atribuído à guerra.
  • Margem de Ebitda revisada para US$ 3,8 bi – US$ 4,2 bi, ante faixa anterior de US$ 4,2 bi – US$ 4,6 bi.
  • Meta de alavancagem líquida sobe de ≤1,4x para ≤1,8x, com liquidez mínima reduzida de US$ 5 bi para US$ 4,5 bi.

Esses números sinalizam que a companhia vai terminar o ano mais endividada e com menor gordura de caixa do que o planejado. Para quem acompanha o setor, a trajetória de desalavancagem fica mais longa, o que pode influenciar custo de capital e percepção de risco.

Pressão sobre tarifas e inflação

A tendência de repasse do custo do QAV às passagens cria atrito adicional sobre a inflação de serviços. Embora o IPCA esteja desacelerando, a alta de preços de voos domésticos pode limitar cortes na Selic, afetando todo o mercado de renda fixa e ações sensíveis a juros.

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Imagem: Reprodução | Trader Iniciante

PEC da escala 6×1: efeito potencial no custo de trabalho

Outro ponto no radar é a proposta de emenda à Constituição que elimina a escala 6×1. Cadier afirma estar otimista quanto a exceções para aeronautas, mas alerta que mudanças na jornada podem elevar despesas trabalhistas, pressionando ainda mais a estrutura de custos num cenário de combustível caro.

O que acompanhar daqui para frente

  • Evolução do conflito no Oriente Médio e impacto no preço do barril.
  • Decisões do Banco Central sobre a Selic, que afetam câmbio e custo de capital das companhias.
  • Comportamento da demanda doméstica em meio a tarifas mais altas e renda apertada.
  • Negociações sobre a escala 6×1 e possíveis ajustes regulatórios no setor aéreo.

Para o investidor que segue empresas de aviação ou fundos expostos ao setor, o principal ponto de atenção é a capacidade das companhias de repassar custos sem sufocar a demanda, preservando caixa e mantendo seus planos de desalavancagem em um ambiente de juros ainda elevados.

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