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O Tribunal de Contas da União (TCU) deve emitir nesta quarta-feira (10) um alerta ao Poder Executivo: a área de defesa civil vem sendo subfinanciada no Orçamento anual e, depois, reforçada por créditos extraordinários que ficam fora das regras fiscais. A prática começou no governo Jair Bolsonaro e foi mantida na gestão Lula.
Apesar de a média de gastos com prevenção e combate a desastres somar R$ 1,6 bilhão por ano desde 2020, os orçamentos aprovados pelo Congresso reservam cerca da metade desse valor. O restante é liberado ao longo do exercício mediante créditos extraordinários, mecanismo destinado a despesas urgentes e imprevisíveis.
Para a corte de contas, a frequência crescente de enchentes, queimadas e estiagens mostra que o montante já é previsível o suficiente para constar na Lei Orçamentária Anual, sem depender de verbas fora do arcabouço fiscal.
O crédito extraordinário é aberto por medida provisória e não precisa respeitar limitações como o teto de gastos (em vigor até 2023) ou o novo arcabouço fiscal. Na prática, isso permite ao governo gastar sem cortar em outras áreas ou elevar a meta de resultado primário.
Embora seja um instrumento legítimo em calamidades, o uso recorrente reduz a transparência e fragiliza o planejamento orçamentário, segundo o diretor da Instituição Fiscal Independente (IFI), Alexandre Andrade.
Para quem acompanha o mercado, a principal consequência é o impacto na percepção de risco fiscal. Gastos fora do limite oficial elevam a incerteza sobre o resultado primário, podendo pressionar:
Imagem: Reprodução | Trader Iniciante
Embora o volume envolvido seja menor que outras despesas federais, a prática sinaliza ao mercado que o governo pode recorrer a atalhos contábeis para cumprir metas anuais, fator que entra no cálculo de risco-país e influencia a remuneração de ativos de renda fixa e variável.
O arcabouço fiscal aprovado em 2023 determina limites para o crescimento das despesas, mas mantém a brecha para créditos extraordinários. Quanto mais frequente o uso desse recurso, maior a chance de o resultado primário ficar distante das metas oficiais, elevando a dívida/PIB e, por consequência, as expectativas para a Selic.
Com a inflação ainda acima da meta do Banco Central e a taxa básica em patamar de dois dígitos, qualquer sinal de gasto adicional tende a ser monitorado de perto por investidores e gestores de fundos.
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