Aéreas alertam para salto de impostos com reforma e temem alta nas passagens

Ricardo AlmeidaRicardo AlmeidaMercado Financeiro2 horas atrás7 Visualizações

O debate da reforma tributária voltou a colocar a aviação comercial na linha de frente das discussões sobre competitividade. Durante seminário do Grupo Lide, em São Paulo, os presidentes de Azul, Latam e Gol afirmaram que o desenho atual da proposta pode triplicar a carga de impostos paga pelo setor, transferindo o custo extra para o consumidor.

O que disseram os executivos

  • John Rodgerson, CEO da Azul: “Tributar aviação é a coisa mais burra que se pode fazer”. Ele argumenta que passagens mais caras reduzem o número de viajantes e enfraquecem toda a cadeia do turismo.
  • Jerome Cadier, CEO da Latam Brasil, classificou o texto como “bomba atômica” para as aéreas. Hoje a companhia desembolsa cerca de R$ 2 bi em tributos; o valor poderia chegar a R$ 6 bi.
  • Celso Ferrer, CEO da Gol, defendeu políticas de desoneração, citando programas estaduais que cortaram ICMS do combustível de aviação e geraram novas rotas.

Por que isso importa para o investidor

Empresas do setor — listadas em Bolsa, como AZUL4 e GOLL4 — já operam com margens apertadas, influenciadas pelo preço do querosene (atrelado ao dólar) e pelo nível de endividamento. Uma alta adicional de impostos pressiona custos fixos, pode adiar planos de expansão e reduzir projeções de lucro, fatores que costumam mexer com o humor do mercado.

Efeito dominó no turismo e na economia

Menos viajantes significam menor ocupação em hotéis, queda na demanda por restaurantes, aplicativos de transporte e comércio local. É o chamado efeito multiplicador, citado por Rodgerson, que ajuda a explicar por que o governo ainda estuda ajustes no texto para evitar frear o turismo interno.

Pressão de custos: combustível e câmbio

Além da possível alta de impostos, o setor sente o peso do combustível de aviação, apontado por executivos como um dos mais caros do mundo. O item é cotado em dólar, moeda que segue volátil diante do cenário externo e das incertezas fiscais domésticas. Quando o real se desvaloriza, o custo em reais sobe, alimentando a inflação de passagens.

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Imagem: Reprodução | Trader Iniciante

Relação com juros e acesso a crédito

Apesar da trajetória de queda iniciada em 2023, a Selic permanece em nível elevado, encarecendo o crédito. Para companhias alavancadas, isso significa despesas financeiras maiores, fator que se soma à preocupação com novos tributos.

Próximos passos

  • Executivos mantêm diálogo com o governo para buscar regime diferenciado na reforma.
  • Proposta ainda precisa ser regulamentada; até lá, o texto pode sofrer ajustes.
  • Investidores devem monitorar o cronograma no Congresso e eventuais sinalizações do Ministério da Fazenda.

Para o passageiro comum, a discussão não é meramente técnica: o desfecho definirá se voar dentro do Brasil ficará mais caro ou se políticas de incentivo conseguirão aliviar o bolso do consumidor e manter o setor em rota de crescimento.

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