Reservas de petróleo dos EUA caem ao menor nível desde os anos 1980 e acendem alerta sobre preços da gasolina

Camila RochaCamila RochaDificuldades e desafios11 minutos atrás7 Visualizações

A reserva estratégica de petróleo (Strategic Petroleum Reserve – SPR) dos Estados Unidos encolheu para 349,2 milhões de barris na semana encerrada em 5 de junho, segundo o Departamento de Energia norte-americano. O volume se aproxima do piso de agosto de 1983 e preocupa analistas do setor energético.

O que é a SPR e por que ela existe

Criada em 1975, logo após o primeiro choque do petróleo, a SPR funciona como um “colchão” de segurança para momentos de crise. O governo armazena óleo bruto em cavernas de sal no Texas e na Louisiana e pode liberar parte desse estoque quando a oferta global é interrompida por guerras, desastres naturais ou problemas logísticos.

O que está acontecendo agora

  • Desde 2021, o estoque foi reduzido em 243 milhões de barris para amenizar gargalos causados pela pandemia e pela guerra na Ucrânia.
  • Nos últimos meses, a Casa Branca autorizou a liberação adicional de 172 milhões de barris para compensar a virtual paralisação do Estreito de Ormuz durante o conflito com o Irã.
  • O ritmo atual equivale a quase 9 milhões de barris por semana.

Com isso, restam cerca de 350 milhões de barris. Técnicos do setor alertam que, abaixo de 20% desse nível, o próprio sistema de bombeamento da SPR perde eficiência operacional.

Risco de impacto no bolso do consumidor americano

Mike Sommers, presidente do American Petroleum Institute, afirma que a queda dos estoques, combinada à ausência de aumento na produção doméstica, tende a “gerar impacto significativo na bomba” ao longo do tempo. A inflação de energia nos EUA já deu sinais: em maio, o índice de preços de energia subiu 3,9% no mês e 23,5% em 12 meses. A gasolina avançou 7% em maio e acumula alta de mais de 40% em um ano.

Reservas de petróleo dos EUA caem ao menor nível desde os anos 1980 e acendem alerta sobre preços da gasolina - Imagem do artigo original

Imagem: Kristen Altus FOXBusiness

Por que isso importa para o investidor brasileiro

  • Petróleo influencia dólar e inflação: preços mais altos do barril no mercado internacional tendem a pressionar o dólar e a inflação no Brasil, pois o país importa parte dos derivados.
  • Impacto em ações e fundos: empresas petrolíferas listadas na B3, bem como fundos atrelados a commodities, costumam se beneficiar de cotações ascendentes, enquanto companhias intensivas em combustível podem ver custos subir.
  • Reflexo na política de juros: aumentos prolongados no preço de energia elevam a expectativa de inflação e podem dificultar cortes adicionais na Selic, afetando renda fixa e crédito.
  • Mercado global mais volátil: a menor folga da SPR reduz a capacidade dos EUA de suavizar choques futuros, o que pode ampliar a oscilação de preços do Brent e do WTI.

O que observar daqui para frente

Analistas destacam dois pontos de atenção:

  • A velocidade de reabertura do Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.
  • A capacidade de produção norte-americana crescer a tempo de repor a SPR sem comprometer o abastecimento doméstico.

Para o investidor, acompanhar os relatórios semanais de estoques dos EUA e as decisões de política monetária no Brasil ajuda a entender como eventuais altas de petróleo podem repercutir em câmbio, inflação e mercado acionário.

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