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O anúncio, nesta quinta-feira (11), de que Estados Unidos e Irã aceitaram o mesmo texto para um cessar-fogo após 104 dias de conflito no Estreito de Ormuz sacudiu os mercados globais e, por tabela, a cena local. Com a perspectiva de reabertura da principal rota de exportação de petróleo do Golfo Pérsico, o barril do Brent recuou para US$ 90. A queda aliviou parte das pressões inflacionárias embutidas nas curvas de juros e puxou o Ibovespa para cima: alta de 1,7 %, a 171 mil pontos.
Cerca de um quinto do petróleo mundial passa diariamente pelo Estreito de Ormuz. Quando a rota fica comprometida, o valor do barril sobe, elevando o custo de combustível, frete e energia no mundo todo. No Brasil, a conta chega ao consumidor via reajustes de combustíveis e tarifas de transporte, contaminando o IPCA, índice de inflação usado pelo Banco Central (BC) para calibrar a Selic.
A trégua reduziu, ainda que de forma inicial, a percepção de risco inflacionário. Os contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) – que refletem as expectativas para a Selic – recuaram ao longo da curva:
Até ontem, 68 % dos investidores apostavam que o Comitê de Política Monetária (Copom) manteria a Selic em 14,50 % na reunião da próxima quarta-feira. Com o Brent em queda, o Copom ganha um “dado novo” sobre a mesa: a principal fonte de pressão inflacionária dos últimos meses pode perder força caso o cessar-fogo se confirme e o barril recue para a faixa de US$ 85.
O novo quadro pode levar as instituições a reverem estimativas, mas a confirmação dependerá da velocidade com que o choque de oferta se dissipar e de como o BC interpretará os números de inflação de junho e julho.
Imagem: rarrarorro
Com volume financeiro de R$ 23,3 bilhões – 27 % acima da média dos últimos 12 meses – a Bolsa registrou ampla alta: 64 das 78 ações do Ibovespa fecharam no azul. Destaques de valorização incluíram nomes sensíveis a crédito mais barato, como VAMOS ON (+6,5 %) e Direcional (+5,8 %). Já papéis ligados ao petróleo, como Petrobras PN (+0,3 %) e PRIO3 (-1,3 %), ficaram para trás, refletindo a queda do Brent.
A cotação à vista recuou 1,4 %, para R$ 5,10, acumulando baixa de 1,1 % na semana. Moeda americana mais fraca reduz custos de importação e ajuda a frear a inflação, reforçando o cenário benigno para juros.
Para o investidor iniciante, a mensagem principal é entender como eventos geopolíticos distantes afetam variáveis domésticas como inflação, câmbio e juros. Essas conexões determinam, em grande parte, a performance de ações, títulos de renda fixa e até das aplicações mais conservadoras atreladas ao CDI. Ficar de olho no noticiário e nas sinalizações do Banco Central ajuda a compreender por que seu rendimento oscila mesmo sem mudança direta na empresa ou no produto em que investe.
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