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Os fundos multimercado, que já foram sinônimo de diversificação e sofisticação para o investidor brasileiro, vivem um dos momentos mais delicados desde a pandemia. Um relatório da TAG Investimentos analisou mais de oito anos de dados e concluiu que a maior parte da indústria vem entregando retorno semelhante ao de carteiras passivas — mas a um custo muito mais alto.
Em março, o IHFA — índice da Anbima que acompanha os principais multimercados do país — caiu 3,42%, a segunda pior marca desde a derrocada de março de 2020. No auge da turbulência, 71% dos 264 maiores fundos fechavam no vermelho. O resultado intensificou resgates que já somavam cerca de R$ 31 bilhões nos últimos três anos.
Para iniciantes, vale lembrar que fundos multimercado podem investir em diversas classes — juros, câmbio, ações e até commodities — buscando retorno acima do CDI, taxa de referência da renda fixa. Quando não conseguem superar esse parâmetro, o investidor começa a questionar se vale pagar taxas de administração que chegam a 2% ao ano, mais 20% sobre o que ultrapassar o próprio CDI.
Segundo a TAG, a recente Guerra Irã–Ocidente afetou justamente as posições mais usuais entre gestores locais: compra de Brasil, venda de volatilidade, aposta na queda dos juros e menor exposição a commodities. A chamada Operação Epic Fury, em 28 de fevereiro, fez o Brent saltar de US$ 71 para US$ 126 em pouco mais de duas semanas. O petróleo mais caro pressionou expectativas de inflação, afetou títulos públicos e gerou perdas concentradas em carteiras altamente alavancadas.
Para testar se o investidor recebe, de fato, gestão diferenciada, a TAG montou o “Kit Brasil”, composto por:
O estudo mostra que grande parte do retorno dos multimercados pode ser explicada por esses mesmos fatores — acessíveis via ETFs e fundos de baixo custo que cobram entre 0,20% e 0,35% ao ano. Já os fundos tradicionais, com taxa efetiva entre 2,5% e 4,0% ao ano, só justificariam o prêmio se entregassem alfa (resultado além do mercado) ou menor volatilidade, o que não tem ocorrido de forma consistente.
Imagem: Renan Dantas
O CDI segue de perto a Selic, hoje referência para aplicações de renda fixa e crédito. Quando a Selic cai — cenário discutido para 2026 — bater o CDI tende a ficar ainda mais difícil para os multimercados, porque o “piso” de retorno diminui, mas o custo da alavancagem continua. Por outro lado, com juros altos, basta errar menos que o mercado para deixar o investidor atrás apenas dos títulos públicos.
A TAG avalia que a sobrevivência do modelo depende de incorporar novas tecnologias, como análises quantitativas, inteligência artificial e operações mais sofisticadas de long & short ou opções. Fundos macro realmente discricionários — capazes de explorar ineficiências globais — ainda têm espaço, mas já não são maioria.
Nesse contexto, a gestora projeta uma carteira mais enxuta de nomes locais de alto desempenho, complementada por hedge funds estrangeiros acessados no Brasil com proteção cambial. Enquanto isso, cresce a procura por produtos passivos, impulsionada pela oferta de ETFs que replicam bolsas, dólar e títulos públicos.
Para o investidor iniciante, o principal recado é entender exatamente o que está pagando: se a exposição for semelhante à de uma carteira passiva, comparar custos torna-se essencial. Já quem busca a gestão ativa tradicional precisa verificar histórico, equipe e aderência do fundo a estratégias capazes de gerar valor de forma consistente.
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