Geração Z deixa a poupança para trás e adota carteira multissetorial, aponta Anbima

Ricardo AlmeidaRicardo AlmeidaMercado Financeiro20 horas atrás8 Visualizações

A nova fotografia do investidor brasileiro traz um protagonista diferente. Segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), a chamada Geração Z – jovens de 16 a 29 anos – já tem a maior participação em produtos de investimento entre todas as faixas etárias pesquisadas. Eles não apenas investem mais (36% do grupo) como também montam carteiras mais variadas do que as gerações anteriores.

Como é a carteira da Geração Z

  • Poupança – 13% dos jovens utilizam a caderneta, bem abaixo dos 27% observados entre a Geração X (45-64 anos) e os boomers (65+).
  • Títulos privados – 10% aplicam em CDBs, LCIs, LCAs e debêntures. Esses produtos costumam pagar rendimento atrelado ao CDI ou a índices de inflação.
  • Fundos de investimento – 8% alocam recursos em veículos coletivos, que já vêm com gestão profissional.
  • Criptomoedas – 8% mantêm exposição a ativos digitais, número superior ao verificado em outras gerações.
  • Ações – 4% operam diretamente na Bolsa, o dobro da média da população adulta brasileira (2%).

Para Marcelo Billi, superintendente de Sustentabilidade, Inovação e Educação da Anbima, a multiplicidade de opções acessadas pela Geração Z reflete o ambiente em que esses jovens cresceram: digital, com fluxo constante de informação e plataformas de investimento que cabem no celular.

Por que a poupança perdeu espaço

A caderneta oferece liquidez diária e isenção de imposto de renda para pessoas físicas, mas tem rendimento limitado: 0,5% ao mês + TR quando a Selic está acima de 8,5% ao ano. Com a taxa básica perto dos dois dígitos, papéis de renda fixa como CDBs ou títulos do Tesouro Direto passam a oferecer retornos superiores mesmo após o desconto de imposto. Esse diferencial ajuda a explicar por que apenas 13% dos jovens mantêm parte relevante do dinheiro na poupança.

Ao mesmo tempo, plataformas de investimento vêm simplificando o acesso a produtos que antes exigiam aplicação mínima elevada ou presença em agência bancária. A barreira de entrada menor estimula a diversificação.

Onde os jovens buscam informação financeira

  • YouTube – 49% dos entrevistados usam o canal de vídeo como principal fonte.
  • Instagram – 45% recorrem ao aplicativo para conteúdo financeiro.
  • Buscadores – 29% e portais especializados – 25% ainda têm peso na decisão.
  • Podcasts – 20% acompanham discussões em áudio.
  • Assistentes virtuais de IA – 17% já consultam robôs de conversa, sinalizando mudança de comportamento.

Nos grupos mais velhos o padrão se inverte. Entre os boomers, 38% preferem conversar com o gerente ou assessor de investimentos, enquanto só 15% da Geração Z recorrem a atendimento presencial. A autonomia informacional, no entanto, vem acompanhada de maior exposição a práticas de risco: 27% dos jovens admitem já ter realizado apostas, contra apenas 4% dos boomers.

O que muda para o investidor iniciante

Mesmo quem não pertence à Geração Z pode tirar lições do levantamento:

  • Diversificação dilui riscos. Distribuir o patrimônio entre renda fixa, fundos, ações e criptos reduz o impacto de oscilações em um único mercado.
  • Educação financeira contínua é fundamental. A pesquisa mostra que 65% dos jovens que ainda não investem pretendem começar – e fazem isso consumindo conteúdo online. Para qualquer faixa etária, entender o produto antes de aplicar evita decisões guiadas apenas por hype ou rentabilidade passada.
  • Custo de oportunidade da poupança ficou mais visível. Com a Selic elevada, produtos atrelados ao CDI ou ao próprio Tesouro Direto podem gerar rendimento líquido acima do tradicional 0,5% ao mês da caderneta.

O estudo da Anbima indica que o mercado financeiro brasileiro tende a ganhar novos participantes mais bem informados e dispostos a testar diferentes classes de ativos. Para o investidor comum, acompanhar essa mudança significa entender que informação de qualidade, análise de risco e visão de longo prazo continuam sendo peças centrais na construção de qualquer carteira – independentemente da geração.

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