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O governo dos Estados Unidos informou ter chegado a um acordo de paz com o Irã, quatro meses após os ataques que fecharam o Estreito de Ormuz. A passagem marítima concentra cerca de 20% do petróleo exportado no planeta e estava sob bloqueio naval norte-americano desde 27 de fevereiro.
Segundo o presidente Donald Trump, o estreito foi liberado “sem custos de pedágio” e o bloqueio naval será desfeito imediatamente. O Paquistão, mediador das tratativas, afirmou que o tratado será assinado em 19 de junho, na Suíça.
Apesar da correção, as cotações seguem acima dos US$ 70 observados antes do conflito. Ainda assim, a trégua retira parte da pressão que vinha elevando preços de combustíveis e fretes, itens sensíveis ao bolso do consumidor e aos índices de inflação.
Quando o petróleo sobe, o custo de produção e transporte aumenta, elevando a inflação. Para conter essa escalada, bancos centrais costumam subir juros. Juros mais altos encarecem crédito, reduzem consumo e podem pressionar ativos de risco como ações e criptomoedas.
Com a queda de hoje no petróleo, o mercado reavalia a probabilidade de novos apertos monetários, principalmente na “Superquarta” de 17 de junho, quando Federal Reserve (EUA) e Banco Central do Brasil divulgam decisões de política monetária.
No início do ano, a expectativa era de corte da Selic para 12% ao ano em dezembro. O choque do petróleo suspendeu esse cenário e até abriu espaço para apostas em alta de juros. A trégua reduz essa pressão, mas os efeitos inflacionários ainda precisam ser confirmados nos próximos indicadores.
Para quem investe em renda fixa atrelada ao CDI ou ao Tesouro Direto, eventuais mudanças na Selic impactam diretamente a remuneração. Já títulos prefixados e atrelados à inflação são sensíveis à forma como o mercado projeta a trajetória dos preços e dos juros daqui para frente.
Imagem: Reprodução | Trader Iniciante
Menos tensão geopolítica costuma favorecer o apetite a risco, o que pode beneficiar ações de setores dependentes de insumos importados ou sensíveis ao câmbio. Ao mesmo tempo, empresas exportadoras de petróleo podem ver margens comprimidas caso a commodity siga em queda.
No câmbio, preços de energia mais baixos tendem a reduzir o déficit na balança comercial de países importadores, o que pode fortalecer suas moedas em relação ao dólar. No entanto, o real continua respondendo a fatores internos, como trajetória fiscal e expectativas para a Selic.
O mercado acompanhará:
Até lá, a volatilidade pode permanecer elevada, mas a sinalização de paz entre EUA e Irã já trouxe um primeiro alívio para quem temia uma escalada prolongada dos preços de energia.
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