A Forbes Brasil, operada pela FRBS Participações S.A., apareceu nos registros da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) como o principal investimento do fundo Eagle Eye Investments, estrutura atualmente associada ao caso Banco Master e investigada pela Polícia Federal. Segundo documentação entregue à CVM, o Eagle Eye detém R$ 113,7 milhões em ações da FRBS, supostamente equivalentes a 100 % do capital social da editora.
Empresa nega sociedade com o fundo
Em nota, Katarina Camarotti, diretora-executiva da Forbes Brasil, afirmou que “o fundo não é nem nunca foi acionista” da companhia. Documentos arquivados na Junta Comercial de São Paulo mostram que apenas Antonio e Katarina Camarotti detêm as ações da FRBS, o que contradiz o quadro societário descrito pelo Eagle Eye.
Por que isso chama a atenção da PF e da CVM
- Ligação com o “Caso Master”: o Eagle Eye faz parte da carteira do fundo Astralo 95, apontado como peça central na investigação “Compliance Zero” que apura suposta lavagem de dinheiro via Banco Master.
- Estrutura “Frozen”: vários fundos da cadeia usam nomes de personagens da animação da Disney, prática que dificulta o rastreamento do beneficiário final.
- Falta de auditoria: o Eagle Eye não apresenta demonstrações financeiras auditadas; a firma citada como auditora nega ter sido contratada.
- Oscilações patrimoniais atípicas: o fundo saltou de R$ 144 milhões, em janeiro / 25, para R$ 5,5 bilhões, entre setembro e novembro, antes de voltar a R$ 892 milhões em dezembro.
Entenda os termos do caso
- Mútuo conversível: é um empréstimo que pode ser quitado com a emissão de ações. O Eagle Eye relatou um mútuo de R$ 100 milhões com a FRBS, mas a Forbes Brasil alega que nunca recebeu esses recursos.
- Cotista único: quando um fundo tem apenas um investidor (no caso, o Astralo 95). Isso facilita operações rápidas, mas reduz transparência para terceiros.
- Liquidação extrajudicial: medida aplicada pelo Banco Central à gestora Reag, que administrava o Eagle Eye, paralisando suas atividades para proteção dos credores.
Riscos e lições para o investidor iniciante
- Governança é fundamental: divergências entre registros da CVM e da Junta Comercial acendem alerta para quem aplica em fundos fechados ou pouco transparentes.
- Auditoria independente: demonstrações sem aval de auditor aumentam o risco de números inflados ou patrimônio inexistente.
- Oscilações bruscas de patrimônio: variações bilionárias sem explicação clara sugerem operações não recorrentes, elevando o risco de liquidez.
- Due diligence: antes de investir, verifique quem administra, quem audita e quais ativos compõem o fundo. A informação está disponível no site da CVM, mas requer leitura crítica.
Impacto no mercado e próximos passos
Embora a Forbes Brasil não seja companhia aberta, o episódio reforça o escrutínio regulatório sobre fundos estruturados que movimentam grandes valores fora do ambiente tradicional da Bolsa. A CVM não comenta casos específicos, mas pode instaurar processos sancionadores se identificar fraude ou informação falsa.
Imagem: Reprodução | Trader Iniciante
Para o investidor, o caso serve de lembrete sobre a importância de acompanhar não apenas rentabilidade, mas também a qualidade das informações divulgadas pelos fundos, principalmente em um cenário de Selic mais alta, no qual produtos de renda fixa simples — como Tesouro Direto ou CDI — podem oferecer retorno competitivo com risco bem menor.