Consumo de vinho no Brasil cresce dois dígitos e atrai investimentos da Concha y Toro

Ricardo AlmeidaRicardo AlmeidaMercado Financeiro9 horas atrás8 Visualizações

A Concha y Toro, maior vinícola da América Latina, enxerga o Brasil como um dos poucos mercados em expansão no mundo. Segundo o country manager Pietro Capuzzi, as vendas locais avançam cerca de 15% ao ano, mesmo com a retração global provocada por mudanças nos hábitos de consumo e pelo uso de medicamentos para emagrecimento.

Brasil na contramão do mercado global

Enquanto a indústria do vinho enfrenta queda de demanda em vários países, o público brasileiro passou a beber menos em quantidade, porém melhor em qualidade. A busca por rótulos diferenciados e pela experiência social que o vinho oferece sustenta o crescimento da categoria. Em 2025 a Concha y Toro faturou perto de US$ 1 bilhão no mundo, e parte desse desempenho vem do avanço no mercado brasileiro.

Para o investidor, o dado chama atenção porque sinaliza uma tendência de consumo resiliente, mesmo em meio a juros ainda elevados e inflação de alimentos em moderação. O dólar, que afeta o preço dos rótulos importados, continua sendo variável crítica: real valorizado tende a baratear os vinhos estrangeiros nas gôndolas, estimulando a demanda.

Vinho sem álcool ganha espaço

De olho em consumidores que buscam reduzir a ingestão de álcool sem abrir mão do sabor, a companhia lançou no país o sparkling zero álcool da linha Casillero del Diablo — o segundo mercado a receber o produto depois do Reino Unido. A tecnologia remove o álcool por processo físico, preservando o perfil sensorial da bebida.

  • Segmento é visto como porta de entrada para novos públicos.
  • Pode ampliar a margem de lucro, já que produtos funcionais costumam ter tíquete médio mais alto.
  • Conecta-se à tendência global de bebidas de baixo teor alcoólico.

Expansão regional e presença online

Apesar de 60% a 70% das vendas ainda se concentrarem no Sul e Sudeste, o Nordeste desponta como a região de crescimento mais rápido, inclusive em faixas de preço elevadas. Na Bahia, por exemplo, alguns dos rótulos mais caros da companhia registram forte demanda.

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Imagem: Reprodução | Trader Iniciante

No canal digital, o e-commerce próprio já responde por 12% das vendas no país. A estratégia, diz Capuzzi, não é competir diretamente com varejistas parceiros, mas garantir “hiperdisponibilidade” — estar presente onde o consumidor estiver. Atualmente, os vinhos da marca chegam a cerca de 100 mil pontos de venda, a maior rede de distribuição do setor no Brasil.

O que o investidor deve observar

  • Poder de precificação: a migração para rótulos premium pode sustentar margens, mesmo em cenário de consumo mais seletivo.
  • Câmbio: alta do dólar encarece vinhos importados e pode favorecer produtores nacionais; queda do dólar tem o efeito inverso.
  • Tendência no/low alcohol: produtos sem álcool ampliam portfólio e diluem riscos regulatórios ligados a bebidas alcoólicas.
  • E-commerce: maior canal direto pode melhorar coleta de dados sobre preferências do consumidor e reduzir custos de intermediação.
  • Distribuição regional: crescimento no Nordeste indica oportunidade para outras empresas de bebidas focarem em mercados fora do eixo Sul-Sudeste.

Para o investidor iniciante, acompanhar movimentos de empresas como Concha y Toro ajuda a entender como mudanças culturais e variações macroeconômicas — juros, dólar e renda disponível — se refletem em setores específicos do consumo.

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