Empresas com menor dívida ganham holofote na B3 enquanto juros permanecem altos

Ricardo AlmeidaRicardo AlmeidaAções12 horas atrás8 Visualizações

A possibilidade de uma taxa Selic elevada por mais tempo voltou ao centro do debate depois de sucessivas revisões nas expectativas de inflação. Nesse ambiente, a XP Investimentos revisitou os balanços de 140 empresas da B3 para identificar quais companhias chegam a 2026 com a saúde financeira mais sólida.

Por que a dívida pesa mais quando o juro sobe?

Empresas que dependem de financiamento precisam rolar parte de suas dívidas. Quando o Banco Central mantém a Selic em patamar elevado, essas rolagens ficam mais caras. O efeito é direto no lucro líquido e no valor de mercado, pois boa parte dos contratos é atrelada ao CDI ou a índices de inflação acrescidos de spread.

Para o investidor iniciante, isso significa que negócios muito alavancados costumam mostrar maior volatilidade em períodos de aperto monetário. Já companhias com balanço enxuto sentem menos o impacto dos juros — e, portanto, tendem a preservar margens e dividendos.

Como a XP calculou o “score de saúde financeira”

A corretora combinou três grupos de indicadores:

  • Alavancagem: mede a relação entre dívida líquida e geração de caixa (EBITDA).
  • Cobertura de juros: mostra quanto a empresa ganha antes do pagamento de encargos financeiros.
  • Liquidez: avalia a capacidade de honrar compromissos de curto prazo.

Na sequência, a XP adicionou um segundo filtro: a sensibilidade do retorno das ações à curva de juros, calculada a partir dos contratos de Depósitos Interfinanceiros (DIs). O resultado é um ranking das empresas menos vulneráveis a um cenário de Selic alta por mais tempo.

Quem lidera a lista das menos alavancadas

Entre os 140 papéis analisados, dez se destacam pelo baixo nível de endividamento e alta qualidade dos resultados:

  • Porto Seguro (PSSA3) – score 99,6
  • Ferbasa (FESA4) – score 99,6
  • Grupo SBF (GRND3) – score 98,9
  • Cury (CURY3) – score 98,2
  • Bemobi (BMOB3) – score 98,1
  • Allos (ALOS3) – score 97,7
  • Ambev (ABEV3) – score 96,6
  • Lojas Quero-Quero (LJQQ3) – score 96,1
  • WEG (WEGE3) – score 95,4
  • Tegma (TGMA3) – score 92,7

Segundo a XP, esses nomes combinam balanços robustos e menor correlação negativa com o avanço dos juros futuros.

O que observar antes de investir

Embora um passivo menor ajude em momentos de Selic alta, cada setor enfrenta desafios específicos. Utilidades públicas, por exemplo, possuem fluxos de caixa estáveis, mas carregam dívidas longas. Já empresas de consumo podem ser menos endividadas, porém sensíveis à renda das famílias.

Para quem está começando, vale acompanhar:

  • Evolução da própria Selic nas próximas reuniões do Copom;
  • Trajetória do dólar, que interfere nos custos de importação e no serviço das dívidas em moeda estrangeira;
  • Indicadores de inflação, que influenciam diretamente a curva de DIs;
  • Atualizações dos resultados trimestrais, onde a empresa divulga o custo médio da dívida e o cronograma de vencimento.

Ainda que o levantamento destaque companhias financeiramente saudáveis, o cenário macroeconômico permanece incerto e segue exigindo atenção redobrada dos investidores.

Ferramentas úteis para investidores

Use as ferramentas gratuitas do Trader Iniciante para simular investimentos, acompanhar o Tesouro Direto e consultar resultados atualizados.

0 Votes: 0 Upvotes, 0 Downvotes (0 Points)

Deixe um Comentário

Comentários Recentes

Trader Iniciante é um participante do Programa de Associados da Amazon.

Pesquisar tendência
Redação
carregamento

Entrar em 3 segundos...

Inscrever-se 3 segundos...