Banco da Inglaterra publica rascunho de regras para stablecoins e impõe teto temporário de £40 bi

Lucas FerreiraLucas FerreiraCriptomoedas8 horas atrás21 Visualizações

O Banco da Inglaterra (BoE) divulgou nesta segunda-feira (22) o primeiro conjunto de regras para stablecoins consideradas “sistêmicas”, isto é, usadas amplamente em pagamentos a ponto de impactar a estabilidade financeira do Reino Unido.

O que muda na prática

  • Reservas: emissores poderão manter até 70% dos lastros em títulos do governo britânico remunerados. A proposta anterior limitava essa fatia a 60%.
  • Teto de emissão: sai o limite de posse por usuário e entra um teto global de £40 bilhões (cerca de US$ 52,8 bilhões) por stablecoin. O BoE classifica a medida como “guarda-corpos temporários”.
  • Cobertura: as regras valem apenas para moedas estáveis enquadradas como sistêmicas. Tokens usados principalmente em negociação de criptoativos continuam sob supervisão da Financial Conduct Authority (FCA).
  • Cronograma: o regulador pretende fechar o rulebook até o final de 2026 e colocá-lo em vigor em 2027.

Por que o teto de £40 bi?

Em consultas públicas de 2025, o BoE sugeriu limites de posse de £20 mil por pessoa e £10 milhões por empresa. O setor argumentou que a restrição tornaria as stablecoins menos úteis e pouco competitivas frente a pares lastreadas em dólar. O novo teto de emissão busca o mesmo objetivo – evitar migração maciça de depósitos bancários para tokens – mas sem travar o uso cotidiano por consumidores e negócios.

Impacto econômico e relação com juros

Ao autorizar até 70% das reservas em títulos do Tesouro britânico, o BoE deixa claro que quer manter os emissores comprando dívida pública, o que:

  • gera demanda adicional pelos “gilts” e ajuda a financiar o governo;
  • expõe as reservas aos movimentos da taxa de juros britânica, hoje em alta após ciclos de aperto para conter a inflação.

Para o investidor acostumado a stablecoins lastreadas 100% em caixa ou títulos de curtíssimo prazo nos Estados Unidos, o modelo inglês mistura maior rendimento – via juros dos títulos – com risco de mercado caso a marcação a mercado dos papéis oscile.

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Imagem: Reprodução | Trader Iniciante

Comparação internacional

  • União Europeia: o regulamento MiCA não fixa teto máximo de emissão em euros.
  • Estados Unidos: projetos no Congresso discutem requisitos de reserva, mas ainda sem limite numérico de tamanho.
  • Reino Unido: torna-se o primeiro grande mercado a impor um cap formal para stablecoins na própria moeda.

Para empresas de cripto, a dúvida passa a ser quanto tempo o teto ficará em vigor e se os tokens poderão liquidar operações no mercado interbancário – passo considerado crucial para iniciativas de tokenização de ativos.

O que o investidor brasileiro pode observar

  • A adoção de stablecoins por bancos centrais avançou: Brasil debate o Drex, enquanto o BoE foca tokens privados regulados.
  • Tetos de emissão, se replicados em outras praças, podem influenciar a liquidez global de pares estáveis em real, dólar ou euro.
  • Parte das reservas em títulos públicos mostra como o tema se conecta diretamente a juros e dívida soberana – variáveis que o investidor comum já acompanha em produtos de renda fixa.

O texto ainda passará por consultas e ajustes, mas indica que o Reino Unido quer equilibrar inovação e proteção ao sistema financeiro. Até 2027, o mercado internacional deve ganhar clareza sobre como stablecoins podem – ou não – conviver com bancos tradicionais.

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