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As taxas de Depósito Interfinanceiro (DI) encerraram a segunda-feira (22) em baixa, devolvendo parte da forte abertura registrada na semana anterior. O movimento foi guiado por três fatores: a trégua diplomática entre Estados Unidos e Irã, o cancelamento do leilão de NTN-B pelo Tesouro Nacional e a expectativa de que a ata do Comitê de Política Monetária (Copom), a ser divulgada nesta terça, detalhe a decisão de cortar a Selic para 14,25%.
A queda foi mais intensa nos contratos de longo prazo, reduzindo a inclinação da curva. Quando os vencimentos mais longos recuam com maior força, sinalizam percepção de risco menor no horizonte, algo que costuma favorecer prazos mais extensos da renda fixa.
Os avanços diplomáticos no fim de semana — com memorando de entendimento que prevê 60 dias para um acordo definitivo entre EUA e Irã — acenaram para o arrefecimento das hostilidades no Líbano e para inspeções no programa nuclear iraniano. A possibilidade de livre fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, rota por onde passa boa parte da produção global, reduziu o preço da commodity e, por consequência, a preocupação com repiques inflacionários. Menos inflação esperada tende a refletir em juros futuros mais baixos.
O Tesouro Nacional decidiu não realizar o leilão programado de NTN-B — títulos públicos atrelados ao IPCA, base dos papéis conhecidos no varejo como Tesouro IPCA+. A interrupção foi interpretada pelo mercado como sinal de que o governo não deseja convalidar o patamar elevado das taxas reais recentes, o que ajudou no recuo dos juros. Para o investidor de renda fixa, vale acompanhar próximos leilões: prêmios menores podem limitar oportunidades de compra de papéis indexados à inflação nos mesmos níveis vistos dias atrás.
Boa parte dos agentes considerou que o comunicado do Copom, que trouxe a Selic para 14,25% e adiantou o horizonte de projeção para o primeiro trimestre de 2028, deixou dúvidas sobre o ritmo de cortes à frente. A ata, esperada para amanhã, deve esclarecer a estratégia. Comunicação mais clara do Banco Central costuma reduzir a volatilidade na curva de juros, variável que impacta diretamente a precificação de títulos pós-fixados (CDI) e prefixados, além de ser referência para financiamentos e crédito.
Imagem: Estadão Cteúdo
No exterior, os rendimentos dos Treasuries subiram após mensagem considerada hawkish do Federal Reserve. Mesmo assim, a melhora de percepção de risco em relação ao Oriente Médio prevaleceu por aqui, e as taxas brasileiras caminharam na direção oposta.
Para o investidor iniciante, entender por que a curva de juros oscila é essencial: esses movimentos influenciam desde o rendimento de fundos de renda fixa até o custo de financiamentos. O cenário seguirá sensível aos desdobramentos geopolíticos e à comunicação das autoridades monetárias.
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