Apple aumenta preços de iPad e MacBook após disparada do custo de chips de memória

Camila RochaCamila RochaDificuldades e desafios13 horas atrás22 Visualizações

A Apple anunciou nesta quinta-feira ( ) ajustes nos preços de várias linhas de iPad e MacBook. Segundo a companhia, o aumento reflete “o maior avanço de custo de um componente em tão pouco tempo” já visto pela fabricante: os chips de memória, essenciais para armazenar dados e alimentar aplicações de inteligência artificial (IA).

O que mudou nos valores

  • MacBook Air (512 GB): de US$ 1.099 para US$ 1.299
  • MacBook Pro (1 TB): de US$ 1.699 para US$ 1.999
  • iPad Air (128 GB): de US$ 599 para US$ 749
  • Neo, notebook de entrada: de US$ 599 para US$ 699
  • HomePod e Apple TV: também sofreram reajustes, valores não detalhados

O iPhone, principal gerador de receita da companhia, ficou fora da lista neste primeiro momento.

Por que os chips ficaram tão caros?

Fabricantes de memória, como a americana Micron, vêm priorizando pedidos de gigantes de IA, como a Nvidia. Essa mudança de rota aumentou a demanda por componentes de alta capacidade — e, por consequência, reduziu a oferta para notebooks, tablets e outros eletrônicos de consumo.

Com menos chips disponíveis, o preço sobe. Até agora, a Apple vinha absorvendo parte desse custo. Mas, nas palavras do CEO Tim Cook, a situação “se tornou insustentável”.

Reflexos para o investidor

  • Ação da Apple (AAPL): fechou o último pregão em alta de 1,37%, mas o repasse de custos testa a capacidade da empresa de manter margens robustas.
  • BDRs no Brasil: quem acompanha AAPL34 deve monitorar a reação do mercado a possíveis pressões de margem e a continuidade da estratégia de precificação.
  • Fabricantes de memória: companhias como Micron vêm reportando lucros recordes, beneficiadas pela “corrida do ouro” da IA.

Efeito prático para o consumidor brasileiro

Caso os novos preços sejam replicados no mercado nacional, o impacto pode ser ainda maior por causa do câmbio e de tributos de importação. A combinação de dólar mais forte e Selic ainda elevada tende a manter a eletrônica importada numa faixa de preço alta, limitando a demanda e desacelerando trocas de aparelhos.

Apple aumenta preços de iPad e MacBook após disparada do custo de chips de memória - Imagem do artigo original

Imagem: Eric Revell FOXBusiness

Setor de tecnologia sob pressão

A alta dos componentes ocorre num momento em que a venda global de PCs e tablets vinha se recuperando lentamente após a pandemia. A escassez de memória adiciona uma nova barreira de custo e pode segurar o ritmo de renovação de equipamentos, especialmente em mercados emergentes.

Para a Apple, a decisão de repassar parte da inflação dos chips reforça o poder de marca, mas também coloca à prova a elasticidade de preços em segmentos mais sensíveis, como o de dispositivos de entrada.

Analistas ouvidos pela Reuters alertam que concorrentes com menor poder de barganha podem ter de elevar preços ainda mais, ampliando a diferença entre ofertas premium e modelos básicos. Para o investidor, o episódio ilustra como gargalos na cadeia de suprimentos continuam a influenciar lucros, inflação de bens duráveis e, em última instância, o desempenho de ações e BDRs ligados ao setor de tecnologia.

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