Senacon mira Valor, Ágil e Crefisa por juros de até 21,7% ao mês em empréstimo pessoal

Ricardo AlmeidaRicardo AlmeidaMercado Financeiro9 horas atrás14 Visualizações

A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), ligada ao Ministério da Justiça, abriu processo para apurar se as sociedades de crédito Valor, Cobuccio/Ágil e Crefisa praticam juros abusivos em empréstimos pessoais não consignados. Os números que acenderam o alerta foram captados no Banco Central: 21,72% ao mês na Valor, 21,71% na Cobuccio/Ágil e 20,86% na Crefisa, o que equivale a até 957% ao ano.

O que motivou a investigação

A Senacon quer verificar se as taxas contrariam princípios do Código de Defesa do Consumidor, como transparência, equilíbrio contratual e proibição de vantagem excessiva. Caso confirme irregularidades, o órgão pode aplicar multas e determinar mudanças nas práticas comerciais.

Por que o crédito pessoal custa mais caro

  • Sem desconto em folha: Diferente do consignado, a parcela não é debitada diretamente do salário ou benefício, elevando o risco de inadimplência para a financeira.
  • Risco maior, juro maior: Instituições compensam a possibilidade de calote cobrando taxas mais altas.
  • Perfil do tomador: Grande parte dos clientes tem restrições no nome ou pouca garantia, o que também pressiona o custo.

Mesmo com esses fatores, especialistas apontam que percentuais acima de 20% ao mês superam em muito a referência da economia. A taxa Selic — utilizada como piso para o custo do dinheiro — está em patamar de um dígito, o que reforça a disparidade.

Quanto esses percentuais pesam no bolso

Um empréstimo de R$ 1.000 a 20% ao mês vira R$ 1.200 após 30 dias. Caso o cliente atrase todas as parcelas por um ano, a dívida ultrapassa R$ 8.900, segundo simulação do planejador financeiro Carlos Castro.

Pontos de atenção para quem precisa de dinheiro

  • Compare o CET: Consulte o Custo Efetivo Total, que inclui juros, tarifas, impostos e seguros embutidos.
  • Pesquise alternativas: Consignado, crédito com garantia ou renegociação de dívidas costumam ser mais baratos.
  • Planeje o fluxo de caixa: Só contrate o valor que cabe no orçamento para evitar efeito “bola de neve”.

Reflexos para o mercado financeiro

A abertura do processo ocorre num momento em que autoridades buscam ampliar a concorrência e reduzir o custo do crédito. Investidores que acompanham o setor financeiro devem observar eventuais impactos:

Senacon mira Valor, Ágil e Crefisa por juros de até 21,7% ao mês em empréstimo pessoal - Imagem do artigo original

Imagem: Reprodução | Trader Iniciante

  • Instituições de nicho: Crefisa, Valor e Ágil concentram operações em públicos de maior risco; mudanças regulatórias podem afetar margens e percepção de risco.
  • Ações do setor: Bancos listados na Bolsa tendem a reagir a sinalizações de maior fiscalização sobre juros, pois isso influencia a rentabilidade de linhas de crédito.
  • Renda fixa: Se o processo incentivar taxas mais baixas, o diferencial entre aplicações de baixo risco (como Tesouro Selic ou CDI) e empréstimos ao consumidor pode diminuir, alterando a dinâmica de spread bancário.

A Senacon ainda não definiu prazo para conclusão da análise. A Crefisa afirma que não foi notificada e que trabalha com taxas a partir de 1% ao mês, variando conforme o risco do cliente. Valor e Cobuccio/Ágil não se pronunciaram até o momento.

Por ora, o processo sinaliza maior escrutínio sobre o custo do crédito e reforça a importância de o consumidor — e também o investidor que acompanha o setor — entender como as taxas se formam e quais são os limites definidos pela legislação.

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