O presidente Donald Trump voltou a usar sua conta na rede Truth Social para exigir que donos de postos de combustível nos Estados Unidos derrubem “imediatamente” o valor cobrado na bomba. Segundo ele, com o barril de petróleo WTI em torno de US$ 70, não há justificativa para a média nacional permanecer próxima de US$ 3,86 por galão. Trump fixou como referência a meta de US$ 2,50 por galão e ameaçou “grandes problemas” para quem não reduzir os preços, além de ter pedido ao Departamento de Justiça que investigue suposto gouging—prática de cobrar sobrepreço do consumidor.
O que motivou o pedido
- O petróleo recuou após a alta registrada durante o conflito entre Israel e Irã, mas, na visão do governo, o repasse às bombas ocorre de forma lenta—fenômeno conhecido no setor como “foguetes e penas”: sobe rápido, cai devagar.
- A média nacional calculada pela AAA (a “Associação Brasileira de Automóveis” dos EUA) recuou de US$ 4,39 para US$ 3,86 no mês, mas ainda está acima dos US$ 3,19 de um ano atrás.
- Trump também criticou a carga tributária da Califórnia, maior mercado estadual americano, alegando que o imposto já se aproxima do custo do próprio combustível.
Entenda a relação entre petróleo e preço na bomba
- Cerca de 55% do preço final da gasolina nos EUA vem do valor do barril. O restante se divide entre refino, distribuição, revenda e impostos estaduais.
- Quando o barril cai, postos dependem de novo estoque mais barato para ajustar a etiqueta. Esse intervalo, geralmente de semanas, gera a sensação de que a redução “não chega”.
- O governo, porém, argumenta que a queda recente—mais de US$ 10 por barril desde o pico do conflito—já deveria estar refletida na bomba.
Impacto potencial para mercados de energia
- Se a pressão política resultar em cortes de margem, companhias de distribuição e refino podem ver receita encolher no curto prazo.
- Ao mesmo tempo, menor custo de combustível alivia a inflação ao consumidor, variável acompanhada de perto pelo Federal Reserve para decidir sobre juros.
- Com a inflação ainda resistente nos EUA, qualquer movimento que segure preços de energia tende a influenciar as expectativas de política monetária global e, por consequência, o humor de mercados emergentes.
Por que o investidor brasileiro deve acompanhar
- Petróleo é uma das principais commodities que afetam a Bolsa brasileira. Oscilações no barril costumam mexer com ações de petroleiras listadas no país e com a arrecadação de royalties de estados produtores.
- Menor pressão sobre a inflação norte-americana pode fortalecer o dólar, afetando câmbio e expectativas para a Selic.
- Fundos que investem em energia, contratos futuros de petróleo negociados na B3 e até papéis de transporte rodoviário sentem o reflexo de variações no preço do combustível global.
- Para quem aplica em renda fixa atrelada ao IPCA, recuos na gasolina tendem a moderar a inflação e, portanto, o rendimento real desses títulos.
O mercado agora aguarda a reação efetiva dos postos nos EUA e possíveis desdobramentos da investigação de suposto sobrepreço. Enquanto isso, investidores acompanham de perto a cotação do WTI, indicador que continua sendo um dos termômetros mais sensíveis para risco, inflação e expectativas de juros em todo o mundo.
Imagem: Greg Wehner FOXBusiness