![Inadimplência no consignado privado encosta em 8% e reacende alerta sobre crédito ao trabalhador 4 [Mercado Financeiro] Inadimplência no consignado privado encosta em 8% e reacende alerta sobre crédito ao trabalhador](https://traderiniciante.com.br/wp-content/uploads/2026/07/traderiniciante-1782922685.jpg)
O índice de inadimplência no crédito consignado para empregados do setor privado avançou para 7,9% em maio, segundo dados divulgados pelo Banco Central (BC). A taxa, 0,4 ponto percentual acima da registrada em abril, é a mais alta desde fevereiro de 2025, quando chegou a 8%.
No consignado privado, as parcelas são descontadas diretamente da folha de pagamento do trabalhador. Por isso, historicamente, o risco de calote tende a ser menor do que em outras modalidades. O salto recente indica que, mesmo com essa trava, parte dos tomadores está encontrando dificuldade para honrar as prestações — um sinal de aperto no orçamento das famílias.
Embora a Selic esteja em queda desde agosto de 2025, o patamar de 10,50% ao ano ainda mantém o custo do crédito elevado. Para o consignado privado, o juro médio ficou em 54,1% ao ano em maio (cerca de 3,7% ao mês), depois de cair 2 pontos percentuais em relação a abril. A diferença entre a taxa básica (Selic) e o juro final pago pelo trabalhador reflete o risco de inadimplência e os custos de captação dos bancos.
No fim de junho, o governo liberou o uso do saldo do FGTS como garantia adicional dentro do programa Crédito do Trabalhador. A expectativa do BC é que a medida, ao reduzir o risco para as instituições financeiras, permita juros mais baixos e, consequentemente, menor pressão sobre a inadimplência. Por ora, porém, ainda não há dados concretos: o impacto deve aparecer apenas nos próximos meses.
Imagem: Reprodução | Trader Iniciante
Para quem investe em renda fixa, o aumento da inadimplência reforça a importância de avaliar o risco de crédito dos emissores — especialmente em papéis de bancos médios ou financeiras. Já os investidores em renda variável devem monitorar instituições expostas a linhas consignadas, pois margens podem ser pressionadas se o calote continuar avançando.
Por fim, a elevação dos atrasos serve de lembrete sobre a relação entre juros altos, endividamento das famílias e desempenho da economia. Caso a inadimplência se estabilize com o uso do FGTS como garantia, cresce a chance de alívio gradual nos spreads bancários, o que poderia melhorar o ambiente de crédito em 2026.
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