Inadimplência no consignado privado encosta em 8% e reacende alerta sobre crédito ao trabalhador

Ricardo AlmeidaRicardo AlmeidaMercado Financeiro13 horas atrás8 Visualizações

O índice de inadimplência no crédito consignado para empregados do setor privado avançou para 7,9% em maio, segundo dados divulgados pelo Banco Central (BC). A taxa, 0,4 ponto percentual acima da registrada em abril, é a mais alta desde fevereiro de 2025, quando chegou a 8%.

Por que o número preocupa

No consignado privado, as parcelas são descontadas diretamente da folha de pagamento do trabalhador. Por isso, historicamente, o risco de calote tende a ser menor do que em outras modalidades. O salto recente indica que, mesmo com essa trava, parte dos tomadores está encontrando dificuldade para honrar as prestações — um sinal de aperto no orçamento das famílias.

Contexto macro: juros ainda pesam

Embora a Selic esteja em queda desde agosto de 2025, o patamar de 10,50% ao ano ainda mantém o custo do crédito elevado. Para o consignado privado, o juro médio ficou em 54,1% ao ano em maio (cerca de 3,7% ao mês), depois de cair 2 pontos percentuais em relação a abril. A diferença entre a taxa básica (Selic) e o juro final pago pelo trabalhador reflete o risco de inadimplência e os custos de captação dos bancos.

FGTS como garantia: o que muda

No fim de junho, o governo liberou o uso do saldo do FGTS como garantia adicional dentro do programa Crédito do Trabalhador. A expectativa do BC é que a medida, ao reduzir o risco para as instituições financeiras, permita juros mais baixos e, consequentemente, menor pressão sobre a inadimplência. Por ora, porém, ainda não há dados concretos: o impacto deve aparecer apenas nos próximos meses.

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Imagem: Reprodução | Trader Iniciante

Concessões perdem fôlego, mas saldo cresce

  • Empréstimos novos de consignado privado totalizaram R$ 7,6 bilhões em maio, contra R$ 9,9 bilhões em abril.
  • Ainda assim, o estoque da modalidade subiu 4,8%, alcançando R$ 109,2 bilhões.
  • A desaceleração vem depois de março ter registrado recorde histórico de R$ 10,8 bilhões em liberações.

Outras linhas de crédito também sentem

  • Cartão de crédito rotativo: inadimplência atingiu 63%, alta de 2,4 pontos percentuais.
  • Cartão parcelado: atraso caiu 0,2 ponto, para 12,5%.
  • Consignado do INSS: concessões recuaram 25,4% em maio, somando R$ 3,7 bilhões. O BC menciona aperto de regras após questionamentos do TCU.

O que isso significa para o investidor pessoa física

Para quem investe em renda fixa, o aumento da inadimplência reforça a importância de avaliar o risco de crédito dos emissores — especialmente em papéis de bancos médios ou financeiras. Já os investidores em renda variável devem monitorar instituições expostas a linhas consignadas, pois margens podem ser pressionadas se o calote continuar avançando.

Por fim, a elevação dos atrasos serve de lembrete sobre a relação entre juros altos, endividamento das famílias e desempenho da economia. Caso a inadimplência se estabilize com o uso do FGTS como garantia, cresce a chance de alívio gradual nos spreads bancários, o que poderia melhorar o ambiente de crédito em 2026.

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