O primeiro semestre de 2026 terminou com duas siderúrgicas brasileiras em pontas opostas do Ibovespa. Enquanto Usiminas (USIM5) acumulou ganho de 42,0%, CSN (CSNA3) recuou 48,2%. Analistas apontam que a combinação entre alavancagem financeira, medidas comerciais e desempenho operacional explica a diferença.
O peso da dívida na CSN
- A CSN encerrou o 1T26 com relação dívida líquida/Ebitda de 3,4 vezes, considerado elevado num cenário de juros ainda altos no Brasil e no exterior.
- Com Selic a dois dígitos na virada do ano e custo global de capital pressionado, empresas mais endividadas sofrem maior desconto na Bolsa.
- Planos de vender a divisão de cimentos para reduzir o endividamento esbarram na divergência de preço: potenciais compradores falam em R$ 11–12 bi; o controlador Benjamin Steinbruch mira R$ 13–14 bi.
- O mercado também passa a questionar a capacidade de rolar dívidas sem alienar ativos, o que aumenta a percepção de risco.
Choques externos também pesaram
- Em janeiro, os EUA aplicaram tarifa de 50% sobre aço e alumínio brasileiros, reduzindo a competitividade externa da CSN.
- A guerra no Oriente Médio elevou custos de frete marítimo, pressionando margens.
- A demanda chinesa, principal termômetro global do aço, permaneceu fraca, limitando volumes.
Mineração alivia, mas não compensa
Metade do Ebitda consolidado da holding vem da CSN Mineração (CMIN3). O minério de ferro se beneficiou de leve recuperação da atividade chinesa, mas o alívio não foi suficiente para contrabalançar o lado siderúrgico.
Usiminas: caixa limpo e cenário doméstico favorável
- No 1T26, Usiminas reportou lucro líquido de R$ 391 mi e dívida líquida/Ebitda negativa (-0,2x), o que indica caixa líquido.
- Medidas antidumping implementadas pelo governo brasileiro encareceram o aço importado, sustentando preços internos.
- Valuation mais “leve” no início do ano atraiu investidores em busca de companhias com balanços sólidos.
Valuation se moveu em direções contrárias
Mesmo após a alta, USIM5 negocia com múltiplo preço/lucro (P/L) de 14,4x, enquanto CSNA3 caiu para 7,4x. A diferença sinaliza que o mercado exige prêmio de risco maior para a CSN, principalmente por causa da dívida.
Fatores a monitorar no segundo semestre
- Tarifas internacionais: eventual sobretaxa europeia ao aço chinês e a indefinição do acordo USMCA podem prolongar o “céu azul” para Usiminas.
- Venda de ativos da CSN: concretizar a alienação da unidade de cimentos por cerca de R$ 12 bi reduziria a dívida em até 30%, fator que pode mudar a percepção de risco sobre o papel.
- Juros e câmbio: cortes na Selic reduziriam o custo de rolagem e melhorariam fluxos de caixa, sobretudo para empresas alavancadas.
- China e minério: estímulos adicionais em Pequim podem sustentar preços do minério e oferecer suporte ao braço de mineração da CSN.
Para o investidor iniciante, a mensagem é clara: além de acompanhar cotações, vale observar indicadores como alavancagem, tarifas de importação e vê seus balanços. Eles ajudam a entender por que duas empresas do mesmo setor podem seguir caminhos tão diferentes dentro do Ibovespa.