Usiminas sobe 42% e CSN afunda 48%: o que explica extremos opostos do Ibovespa no 1º semestre?

Ricardo AlmeidaRicardo AlmeidaAções3 minutos atrás23 Visualizações

O primeiro semestre de 2026 terminou com duas siderúrgicas brasileiras em pontas opostas do Ibovespa. Enquanto Usiminas (USIM5) acumulou ganho de 42,0%, CSN (CSNA3) recuou 48,2%. Analistas apontam que a combinação entre alavancagem financeira, medidas comerciais e desempenho operacional explica a diferença.

O peso da dívida na CSN

  • A CSN encerrou o 1T26 com relação dívida líquida/Ebitda de 3,4 vezes, considerado elevado num cenário de juros ainda altos no Brasil e no exterior.
  • Com Selic a dois dígitos na virada do ano e custo global de capital pressionado, empresas mais endividadas sofrem maior desconto na Bolsa.
  • Planos de vender a divisão de cimentos para reduzir o endividamento esbarram na divergência de preço: potenciais compradores falam em R$ 11–12 bi; o controlador Benjamin Steinbruch mira R$ 13–14 bi.
  • O mercado também passa a questionar a capacidade de rolar dívidas sem alienar ativos, o que aumenta a percepção de risco.

Choques externos também pesaram

  • Em janeiro, os EUA aplicaram tarifa de 50% sobre aço e alumínio brasileiros, reduzindo a competitividade externa da CSN.
  • A guerra no Oriente Médio elevou custos de frete marítimo, pressionando margens.
  • A demanda chinesa, principal termômetro global do aço, permaneceu fraca, limitando volumes.

Mineração alivia, mas não compensa

Metade do Ebitda consolidado da holding vem da CSN Mineração (CMIN3). O minério de ferro se beneficiou de leve recuperação da atividade chinesa, mas o alívio não foi suficiente para contrabalançar o lado siderúrgico.

Usiminas: caixa limpo e cenário doméstico favorável

  • No 1T26, Usiminas reportou lucro líquido de R$ 391 mi e dívida líquida/Ebitda negativa (-0,2x), o que indica caixa líquido.
  • Medidas antidumping implementadas pelo governo brasileiro encareceram o aço importado, sustentando preços internos.
  • Valuation mais “leve” no início do ano atraiu investidores em busca de companhias com balanços sólidos.

Valuation se moveu em direções contrárias

Mesmo após a alta, USIM5 negocia com múltiplo preço/lucro (P/L) de 14,4x, enquanto CSNA3 caiu para 7,4x. A diferença sinaliza que o mercado exige prêmio de risco maior para a CSN, principalmente por causa da dívida.

Fatores a monitorar no segundo semestre

  • Tarifas internacionais: eventual sobretaxa europeia ao aço chinês e a indefinição do acordo USMCA podem prolongar o “céu azul” para Usiminas.
  • Venda de ativos da CSN: concretizar a alienação da unidade de cimentos por cerca de R$ 12 bi reduziria a dívida em até 30%, fator que pode mudar a percepção de risco sobre o papel.
  • Juros e câmbio: cortes na Selic reduziriam o custo de rolagem e melhorariam fluxos de caixa, sobretudo para empresas alavancadas.
  • China e minério: estímulos adicionais em Pequim podem sustentar preços do minério e oferecer suporte ao braço de mineração da CSN.

Para o investidor iniciante, a mensagem é clara: além de acompanhar cotações, vale observar indicadores como alavancagem, tarifas de importação e vê seus balanços. Eles ajudam a entender por que duas empresas do mesmo setor podem seguir caminhos tão diferentes dentro do Ibovespa.

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