![Taxas dos contratos de DI avançam após alta firme dos Treasuries e voltam a atrair atenção do mercado 4 [Ações] Taxas dos contratos de DI avançam após alta firme dos Treasuries e voltam a atrair atenção do mercado](https://traderiniciante.com.br/wp-content/uploads/2026/07/traderiniciante-1782977264.jpg)
Os juros futuros negociados na B3 voltaram a pressionar para cima nesta quarta-feira (1/7), depois de sete pregões de alívio. O movimento foi comandado pelo contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2028, que fechou em 14,095% ao ano, 11 pontos-base acima do ajuste anterior. Na ponta mais longa da curva, o DI para janeiro de 2035 saltou 16 pontos-base, para 14,33%.
O gatilho veio do exterior. Os rendimentos (yields) dos Treasuries nos Estados Unidos avançaram durante todo o dia – o título de 10 anos chegou a 4,477%, alta de 6 pontos-base. Como os Treasuries são considerados o piso de risco do mercado global, qualquer mudança em suas taxas costuma contaminar as curvas de juros de outros países, inclusive a brasileira.
Quando o investidor internacional recebe mais para manter dinheiro em dólar, exige prêmio maior para aplicar em mercados emergentes. Esse prêmio aparece nos DIs, que refletem a expectativa para a Selic ao longo do tempo.
Para o investidor brasileiro, isso significa que a diferença entre o retorno oferecido aqui e lá fora – o chamado carry – tende a encolher se a Selic cair e o Fed subir juros, alimentando volatilidade nos DIs e no câmbio.
No Brasil, pesquisa Atlas/Bloomberg mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 48,8% das intenções de voto num eventual segundo turno contra 42,3% do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Parte do mercado ainda enxerga risco fiscal caso Lula seja reeleito, o que ajuda a sustentar prêmios na curva de juros quando saem notícias que reduzem as chances de um candidato considerado mais amigável às contas públicas.
Imagem: Reuters
Mesmo assim, as opções de Copom negociadas na B3 apontavam nesta semana 57,9% de probabilidade de um corte de 0,25 ponto percentual na Selic em agosto, frente a 37,1% de chance de manutenção em 14,25%. A deterioração dos DIs de hoje não anulou totalmente esse cenário, mas lembrou que ele pode mudar rapidamente.
Em um contexto de juros globais em transição e incerteza doméstica, a variação diária nas taxas de DI lembra que, mesmo na renda fixa, o caminho não é linear. Entender como os movimentos lá fora impactam a curva local ajuda o investidor a interpretar oscilações de curto prazo sem perder de vista seu horizonte e perfil de risco.
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