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O Banco Central (BC) publicou a Resolução BCB 575, que entra em vigor em 1º de outubro, permitindo que mais empresas mantenham contas de depósito em moeda estrangeira no Brasil. A mudança ocorre em um momento de rápida disseminação das stablecoins — criptomoedas atreladas ao dólar — e busca simplificar a vida financeira de companhias com operações fora do país.
Antes da resolução, o uso de contas em moeda estrangeira era mais restrito, o que forçava conversões frequentes entre real e dólar. Agora, essas quatro categorias poderão gerir receitas e despesas externas sem tantos trâmites cambiais.
Segundo o BC, a medida pretende “reduzir custos, simplificar operações e tornar mais eficiente a gestão financeira” de empresas internacionalizadas. Esse objetivo ganhou urgência porque as stablecoins vêm oferecendo, de forma paralela, parte dessa conveniência: facilitar remessas e pagamentos em dólares sem passar pelo mercado de câmbio tradicional.
Dados da Receita Federal mostram que, de 2019 a 2025, cerca de R$ 1,6 trilhão em criptoativos passou pelos sistemas de declaração brasileiros — e quase R$ 1,2 trilhão (mais de 80%) veio de stablecoins. O BC não cita números em sua resolução, mas a tendência de usar dólar digital para comércio exterior pressiona a autoridade a modernizar o arcabouço regulatório.
Para a pessoa física, nada muda: continua proibido abrir conta em moeda estrangeira no país, salvo exceções já previstas (tripulantes de navio, diplomatas, entre outras). Contudo, investidores que acompanham empresas exportadoras ou endividadas em dólar devem ficar atentos:
Mesmo com a flexibilização, as regras de prevenção à lavagem de dinheiro continuam válidas. As novas contas:
Imagem: Cristian Baitg
Além disso, a Receita lançou hoje a DeCripto, um novo formato de declaração de transações com criptoativos que exige informações também de prestadoras de serviços sediadas fora do Brasil. O objetivo é acompanhar o fluxo bilionário de stablecoins e garantir a cobrança correta de tributos, como o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
Stablecoins são tokens digitais que replicam o valor de uma moeda fiduciária, normalmente o dólar. Elas prometem transações rápidas e baratas, mas ainda carecem de regulamentação clara em vários países. No Brasil, o BC tem apertado o cerco para impedir que essas plataformas driblem as normas cambiais e fiscais.
Com a Resolução 575, a autoridade sinaliza que prefere oferecer um canal oficial — as contas em moeda estrangeira — a ver o mercado migrar em massa para soluções cripto fora do radar regulatório. Para o pequeno investidor, o recado é simples: acompanhar de perto como empresas listadas podem se beneficiar (ou não) de custos cambiais menores, sem perder de vista o risco de variação do dólar e o enquadramento fiscal das operações em ativos digitais.
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