A ExxonMobil selou uma virada que poucos analistas previam no auge da pandemia. Após ver seu valor de mercado encolher em 2020, a petroleira voltou a apresentar produção de petróleo e gás no nível mais alto em quatro décadas e valorização de 115% na Bolsa dos EUA nos últimos cinco anos.
Como a virada aconteceu
- Estratégia focada em hidrocarbonetos: mesmo sob pressão por energias renováveis, a companhia manteve US$ 60 bilhões em projetos na Guiana, no Qatar e na bacia do Permiano (EUA).
- Corte de custos: simplificação de estruturas, fechamento de escritórios e redução de cerca de 13 mil postos de trabalho geraram economia de US$ 15,1 bilhões desde 2019.
- Fator geopolítico: a invasão russa à Ucrânia impulsionou o preço do barril em 2022, elevando margens do setor.
- Gestão estável: Darren Woods, no comando desde 2017, sustentou o plano de crescimento mesmo após perder três assentos no conselho para o fundo ativista Engine No. 1 em 2021.
Por que isso importa para o investidor brasileiro
O desempenho de uma superpetroleira costuma balizar todo o segmento de energia. Quando Exxon e outras majors elevam produção e lucro, o preço internacional do petróleo tende a se manter firme, o que afeta:
- Inflação: combustíveis mais caros pressionam o IPCA e podem influenciar a trajetória da Selic.
- Bolsa brasileira: ações de empresas ligadas ao petróleo, como Petrobras e fornecedores da cadeia, costumam responder à cotação do barril.
- Câmbio: fluxos de dólares para o setor de energia podem mexer na oferta global da moeda, impactando o real.
- Renda fixa: eventual alta de juros para conter inflação decorrente de combustíveis encarece títulos prefixados e pós-fixados atrelados ao CDI.
Governança em foco
Mesmo com a recuperação, a Exxon segue sob fogo cruzado de ativistas e parte dos acionistas:
- Assembleia contestada: a mudança do domicílio legal de Nova Jersey para o Texas foi aprovada, mas críticos dizem que limita a capacidade dos minoritários de questionar decisões.
- Ações judiciais: em 2024, a companhia processou grupos que tentavam levar à votação metas de redução de emissões.
- Emissões de carbono: a empresa apoia divulgar apenas o CO₂ produzido na extração, excluindo a queima final do combustível, o que ambientalistas consideram retrocesso.
O embate climático
Embora reconheça a influência humana no aquecimento global e prometa US$ 20 bilhões em projetos de baixo carbono até 2030, a Exxon continua priorizando petróleo e gás. A postura contrasta com iniciativas de Shell e BP, que diversificaram mais cedo para fontes renováveis.
Imagem: Reprodução | Trader Iniciante
O que acompanhar daqui para frente
- Preço do barril: variações rápidas afetam margens da Exxon e de todo o setor.
- Política energética dos EUA: a volta de Donald Trump em 2025, citada na assembleia, pode manter incentivos aos combustíveis fósseis.
- Disputas societárias: eventual avanço de propostas climáticas pode alterar a governança da companhia.
- Impacto no mercado brasileiro: reflexos nos dividendos de Petrobras, na cotação do dólar e nas expectativas de inflação.
Para o investidor que acompanha o mercado de commodities, a trajetória da ExxonMobil exemplifica como disciplina de capital, timing geopolítico e corte de custos podem resgatar valor — e como questões ambientais seguem no centro do debate sobre o futuro da energia.