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Os chamados “mercados de previsão” ganharam os holofotes em junho. Segundo dados da plataforma DefiLlama, a exchange norte-americana Kalshi movimentou quase US$ 9,4 bilhões no mês, um salto de 77% em relação a maio. A Polymarket, baseada em blockchain, também registrou aumento, alcançando US$ 4,3 bilhões, ante US$ 3,5 bilhões.
Nesse tipo de plataforma, o investidor compra “contratos” que pagam US$ 1 se determinado evento ocorrer — por exemplo, uma seleção avançar de fase. Na prática, o preço do contrato reflete a probabilidade de o evento acontecer. Se o contrato custa US$ 0,60, o mercado está precificando 60% de chance.
A lógica lembra apostas esportivas, mas, nos EUA, esses produtos são regulados pela CFTC como derivativos de commodities, não como jogos de azar. Já a Polymarket opera internacionalmente via redes blockchain, permitindo a qualquer pessoa negociar pares de “sim” ou “não” usando stablecoins.
Em ciclos de juros elevados — nos EUA e também no Brasil, onde a Selic ainda opera em patamar de dois dígitos — muitos investidores buscam diversificar parte do portfólio em ativos descorrelacionados de renda fixa tradicional. Apesar de controversos, contratos preditivos oferecem exposição a eventos esportivos, políticos ou econômicos sem depender diretamente de inflação, dólar ou balanço corporativo.
Entretanto, trata-se de um nicho de alto risco: liquidez concentrada, estrutura jurídica em evolução e forte sensibilidade a decisões regulatórias. Para iniciantes, entender essas particularidades é tão importante quanto conhecer o funcionamento de CDBs ou Tesouro Direto.
O pico de volume veio acompanhado de maior escrutínio. Até março, quase uma dezena de estados norte-americanos havia tentado enquadrar Kalshi e Polymarket em legislações locais de apostas. Em resposta, o presidente da CFTC, Michael Selig, afirmou que somente a agência federal tem competência para supervisionar esses derivativos, prometendo “ver os estados no tribunal” caso avancem.
Imagem: Reprodução | Trader Iniciante
No Congresso, grupos ligados a cassinos e tribos indígenas pressionam por uma emenda ao Digital Asset Market Clarity (CLARITY) Act que retiraria contratos sobre eventos esportivos da alçada federal, devolvendo-os às regras estaduais de jogos.
Do outro lado do Atlântico, a ESMA (autoridade de mercados da União Europeia) lembrou que muitos contratos de eventos podem ser classificados como opções binárias, já restritas no bloco. O recado reforça que, independentemente do rótulo — “predição”, “aposta” ou “derivativo” — a natureza financeira do produto define o tratamento regulatório.
Para o investidor brasileiro, a lição é entender o produto antes de se expor. Mercados de previsão ampliam alternativas além de ações, renda fixa ou criptomoedas, mas carregam riscos regulatórios e operacionais que não podem ser ignorados.
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