![A doação de Ken Griffin que levou Pochettino à seleção dos EUA e o que isso diz sobre o negócio do futebol 4 [Dificuldades e desafios] A doação de Ken Griffin que levou Pochettino à seleção dos EUA e o que isso diz sobre o negócio do futebol](https://traderiniciante.com.br/wp-content/uploads/2026/07/traderiniciante-1783423521.jpg)
Quando o argentino Mauricio Pochettino assumiu a seleção masculina dos Estados Unidos em 2024, poucos sabiam que boa parte de seu salário — pouco mais de US$ 6 milhões anuais, segundo dados fiscais da federação — saiu do bolso de Ken Griffin, fundador da gestora Citadel e um dos homens mais ricos do mundo. O gesto filantrópico ajudou a colocar na prancheta da equipe um técnico acostumado a comandar elencos bilionários como Paris Saint-Germain, Tottenham e Chelsea.
Oficialmente, o valor doado por Griffin foi classificado como contribuição filantrópica. Nessa modalidade, não há expectativa direta de retorno financeiro, mas o doador pode se beneficiar de incentivos fiscais previstos na legislação norte-americana, além de ganhar exposição de marca e reputação.
Para investidores iniciantes, vale entender a diferença entre doação e patrocínio. No patrocínio, a empresa paga para exibir sua marca; na filantropia, o dinheiro apoia uma causa pública, mesmo que indiretamente melhore a imagem do doador. Ambos, porém, movimentam o mesmo ecossistema esportivo que envolve direitos de transmissão, venda de ingressos e consumo de produtos licenciados.
A presença de Pochettino é, portanto, parte de uma estratégia maior: tornar a seleção competitiva justamente quando o país sediará o maior evento do esporte. Ao acelerar esse processo, a doação de Griffin atua como capital-semente para um possível ciclo virtuoso de receitas.
Embora seja impossível prever lucros específicos, alguns efeitos econômicos são tangíveis:
Para o investidor de varejo, o fenômeno não se traduz, necessariamente, em ações óbvias para comprar ou vender. No entanto, entender como o dinheiro entra no esporte ajuda a analisar empresas ligadas a:
O pagamento anual superior a US$ 6 milhões colocou Pochettino muito à frente do seu antecessor na folha da U.S. Soccer. Quando salários sobem nesse nível, outros profissionais da cadeia — preparadores, fisiologistas, analistas de desempenho — tendem a negociar valores mais altos, gerando o chamado efeito escada. Esse mecanismo já é conhecido em ligas como NBA e NFL, onde contratos recordes elevam a régua salarial de todo o mercado.
Imagem: Eric Revell FOXBusiness
A contratação de um técnico de elite reforça a tese de que o futebol pode ganhar espaço no portfólio emocional — e às vezes financeiro — dos fãs americanos, aproximando-se de esportes tradicionais como beisebol e futebol americano. Quem acompanha mercados de capitais talvez veja, nos próximos anos, maior número de clubes, fornecedoras de material esportivo e empresas de mídia ligadas ao “soccer” abrindo capital ou recebendo rondas de investimento privado.
Para quem começa a investir, o principal ponto de atenção é separar paixão de decisão financeira. O fato de um bilionário apoiar a modalidade não significa, por si só, que ativos ligados ao futebol terão desempenho superior ao do CDI, da renda fixa ou de outros índices de referência.
A seleção dos EUA encara a Bélgica nas oitavas de final já com a narrativa de “por que não nós?”. Independentemente do resultado, a movimentação de capital privado — simbolizada pelo cheque de Ken Griffin — indica que o projeto de longo prazo do futebol norte-americano ganhou fôlego extra. E onde há mais recursos, há também mais oportunidades e riscos a serem avaliados pelo investidor.
Com a Copa do Mundo batendo à porta em 2026, o relógio corre para federações, marcas e governantes aproveitarem o momento. Para o mercado, o recado é claro: o futebol nos Estados Unidos deixou de ser apenas entretenimento e passou a integrar, de vez, o tabuleiro econômico global.
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