![Escalada do petróleo azeda humor e faz juros futuros dispararem no fim do pregão 4 [Ações] Escalada do petróleo azeda humor e faz juros futuros dispararem no fim do pregão](https://traderiniciante.com.br/wp-content/uploads/2026/07/traderiniciante-1783527440.jpg)
As taxas dos contratos de Depósitos Interfinanceiros (DIs) ganharam velocidade nos minutos finais da sessão desta terça-feira (7) depois que Washington revogou a licença que permitia a venda de petróleo do Irã. A decisão provocou alta da commodity, valorização do dólar e avanço dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos (Treasuries) — combinação que respingou imediatamente na curva de juros brasileira.
A Casa Branca cancelou a autorização que, na prática, facilitava a comercialização de barris iranianos no mercado internacional. O movimento foi justificado por “ações inaceitáveis” de Teerã no Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de um quinto do petróleo que navega pelo planeta. Horas antes, três petroleiros relataram ter sido atingidos por projéteis na região.
Quando o petróleo sobe, aumenta o risco de pressões inflacionárias globais. Isso costuma levar investidores a cobrarem rendimentos mais altos para carregar títulos de dívida, sobretudo em mercados emergentes, considerados mais arriscados.
O DI é o termômetro das expectativas para a taxa básica de juros (Selic) no futuro. Quando a curva empina — isto é, os contratos mais longos sobem —, o recado é de que o mercado enxerga mais risco ou menos espaço para cortes adiante.
Antes do estresse geopolítico, o ambiente era de leve queda nos juros graças ao leilão reduzido de Notas do Tesouro Nacional série B (NTN-B), títulos atrelados à inflação. Vender menos papéis evita “chancelar” as taxas reais acima de 8% vistas no mercado secundário. A estratégia, reforçada por declarações recentes do secretário-executivo da Fazenda, Rogério Ceron, ajudava a domar os rendimentos mais longos até a tensão internacional ganhar peso.
Para quem investe via Tesouro Direto ou em fundos de renda fixa, oscilações na marcação a mercado podem aparecer no extrato. Entender que essas variações são normais em períodos de incerteza ajuda a evitar decisões precipitadas.
Imagem: Reuters
A despeito da alta dos DIs, as opções de Copom negociadas na B3 ainda indicavam, na sexta-feira, 72% de probabilidade de um corte de 0,25 ponto percentual na reunião de agosto, com a Selic hoje em 14,25% ao ano. Parte da confiança vem dos dados de inflação: o IGP-DI de junho mostrou deflação de 0,79%, contra expectativa de -0,60%.
O episódio desta terça relembra, porém, que riscos externos — como o preço do petróleo — podem reduzir a margem de manobra do Banco Central. Investidores iniciantes ganham ao acompanhar não apenas indicadores domésticos, mas também eventos geopolíticos que impactam commodities, câmbio e, por consequência, o custo de financiamento do governo brasileiro.
Sem novos ruídos, a atenção do mercado volta-se agora para a próxima bateria de dados de inflação e para a comunicação do Banco Central nas semanas que antecedem o Copom, fatores que ajudarão a calibrar novamente a curva de juros.
Use as ferramentas gratuitas do Trader Iniciante para simular investimentos, acompanhar o Tesouro Direto e consultar resultados atualizados.






