Investidores correm para travar juros: veja as 10 aplicações de renda fixa preferidas de bancos e corretoras

Mariana CostaMariana CostaRenda Fixa6 minutos atrás7 Visualizações

O primeiro corte de juros decidido pelo Comitê de Política Monetária (Copom) – que levou a Selic a 14,25% ao ano – acendeu o sinal de alerta entre os investidores de renda fixa. Quando a taxa básica entra em trajetória de queda, a janela para travar rendimentos altos começa a se fechar. Por isso, bancos e corretoras destacaram 10 papéis capazes de preservar o juro elevado por vários anos, mesmo num cenário de alívio monetário.

Inflação resistente mantém juro real acima de 7%

Embora a Selic tenha iniciado o ciclo de baixa, o chamado juro real – taxa nominal descontada a inflação – continua perto dos maiores níveis desde 2008. O título público NTN-B 2035, referência para o mercado, saiu de 7,72% ao ano no fim de maio para 8,14% em junho. Esse patamar reflete duas pressões principais:

  • Inflação ainda distante da meta, o que exige prêmio maior para compensar a perda de poder de compra;
  • Incertezas fiscais, que alongam a curva de juros e mantêm as taxas longas mais salgadas.

Para quem investe, cada ponto porcentual a mais de juro real faz grande diferença no retorno total, sobretudo em prazos superiores a dez anos.

O que está na lista de bancos e corretoras

A maior parte das indicações se concentra em títulos IPCA+, que combinam uma taxa fixa real (acima da inflação) com a correção do IPCA. Veja os destaques:

  • CERT11 – Ecovias Raposo Castelo: IPCA + 8,15% até 2029. É debênture incentivada, portanto isenta de IR.
  • ENGIB9 – Energisa: IPCA + 7,55% até 2033. Setor elétrico costuma ter receita regulada, o que reduz volatilidade.
  • NTN-B Principal 2035: IPCA + 7,39%, risco soberano e sem cupons semestrais – o ganho é recebido apenas no vencimento.
  • SBSPI8 – Sabesp: IPCA + 7,05% até 2036, com possível destravamento de valor caso avance o processo de privatização.
  • CGOSB0 / CGOSA2 – Equatorial Goiás: taxa IPCA+ “a mercado” com vencimentos em 2037 e 2038, apoiada por fiança da holding Equatorial Energia.
  • KLBNA5 – Klabin: debênture IPCA+ “a mercado” 2039, trazendo diversificação fora do setor de energia.

Prefixados: taxas altas, mas exigem sangue-frio

Num momento de curva volátil, as casas ainda sugerem alguma exposição a papéis de taxa fixa longa, desde que o investidor aceite o sobe-e-desce dos preços até o vencimento.

  • CDB Banco C6 (2030): 14,80% ao ano, com cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
  • CEEBD1 – Coelba (Neoenergia): 13,50% ao ano e isenção de IR, equivalente a 15,17% num título tributado.

Em prefixados, travar hoje significa assumir o risco de perder para a inflação se ela disparar ou ganhar caso caia mais que o previsto. Por isso, horizonte mais longo e paciência são essenciais.

Pós-fixados seguem como reserva de liquidez

Mesmo com a Selic em queda, o carrego (rendimento diário) dos pós-fixados continua atraente. Eles aparecem na carteira para compor a parte de caixa:

  • Tesouro Selic 2029: rende Selic + 0,0%, varia pouco no curto prazo e tem liquidez diária.
  • CDB PicPay (2028): 104,5% do CDI, também coberto pelo FGC, oferecendo pequeno prêmio sobre o pós-fixado padrão.

Por que as debêntures incentivadas chamam atenção

As debêntures listadas são incentivadas, ou seja, destinadas a projetos de infraestrutura e isentas de Imposto de Renda para pessoa física. O benefício fiscal faz com que uma taxa IPCA + 7% livre de imposto possa equivaler a algo em torno de IPCA + 9% em um título tributado.

Contudo, debêntures carregam risco de crédito do emissor. Antes de aplicar, vale conferir:

  • Saúde financeira da empresa;
  • Garantias (fiança, recebíveis, etc.);
  • Liquidez: resgatar antes do vencimento pode não ser simples.

O que observar daqui para frente

Próximas reuniões do Copom: novos cortes podem reduzir ainda mais as taxas oferecidas nos títulos futuros.
Inflação e câmbio: surpresa inflacionária ou dólar mais alto podem mexer na precificação dos papéis IPCA+.
Avaliação de risco fiscal: deterioração das contas públicas tende a alongar a curva e sustentar prêmios altos, mas aumenta a volatilidade.

Para o investidor iniciante, a principal lição é entender a relação entre prazo, indexador e risco de crédito antes de decidir. Travar juros acima de 7% reais pode fazer sentido em uma parcela da carteira, desde que o horizonte seja compatível com o vencimento do título e que haja reserva de emergência em aplicações de alta liquidez.

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