Clima mais ameno nos EUA derruba soja e milho em Chicago; trigo avança com projeção de estoques menores

Ricardo AlmeidaRicardo AlmeidaAções5 minutos atrás8 Visualizações

Os contratos futuros de soja e milho encerraram o pregão desta quinta-feira em queda na Bolsa de Chicago (CBOT), devolvendo parte dos ganhos vistos no início da semana. Já o trigo andou na direção oposta e fechou em alta.

Quanto os preços variaram

  • Soja para novembro: –10,75 centavos (-0,9%), a US$ 11,815 por bushel.
  • Milho para dezembro: –4,25 centavos (-0,9%), a US$ 4,52 por bushel.
  • Trigo para setembro: +12 centavos (+1,9%), a US$ 6,1975 por bushel.

O bushel é uma unidade de volume usada no mercado norte-americano de grãos. Como referência, um bushel de soja equivale a cerca de 27,2 quilos e um de milho, a 25,4 quilos.

Clima: fator dominante no curto prazo

Modelos meteorológicos passaram a indicar temperaturas mais amenas e chuva no Meio-Oeste dos Estados Unidos durante a segunda quinzena de julho, período crítico de polinização do milho e de formação das vagens de soja. Menor risco de estresse hídrico reduz a probabilidade de quebra de safra, pressionando os preços.

Segundo a consultoria StoneX, o complexo de grãos sentiu o impacto imediato da revisão climática, depois de ter tocado máximas de um mês no início da semana.

Pressão adicional: vendas e realização de lucros

A soja também sofreu realização de lucros, mesmo após o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) confirmar novas vendas para a China — 136 mil toneladas — e para destinos não divulgados — 120 mil toneladas. O mercado já havia precificado parte desses negócios nos últimos dias.

No milho, o sentimento negativo ganhou força com dados semanais de exportação abaixo do esperado: 565,8 mil toneladas da safra 2025/26 e 401,7 mil toneladas da safra 2026/27.

Trigo na contramão

O cereal subiu apoiado na expectativa de que o relatório mensal de oferta e demanda do USDA, a ser divulgado nesta sexta-feira, traga corte nos estoques finais dos EUA para 2026/27. A área plantada divulgada em 30 de junho ficou aquém das projeções do mercado, elevando a percepção de oferta apertada.

Por que o investidor brasileiro deve acompanhar

  • Exportadoras listadas na B3: empresas com receita em dólar, como traders de grãos ou companhias integradas ao agronegócio, podem sentir o reflexo direto das cotações internacionais.
  • Inflação de alimentos: quedas em soja e milho influenciam o custo de ração animal, que repercute nos preços de carnes e laticínios, itens relevantes no IPCA.
  • Renda fixa atrelada à inflação: variações no índice de preços afetam títulos como NTN-B (Tesouro IPCA+) e, indiretamente, as decisões do Banco Central sobre a Selic.
  • Câmbio: contratos de commodities são precificados em dólar; movimentos fortes podem mexer na balança comercial e, consequentemente, no real.

Próximos gatilhos

Investidores seguem atentos a três pontos:

  • Dados climáticos diários para o cinturão agrícola norte-americano.
  • Relatório de oferta e demanda do USDA, com destaque para estoques e produção.
  • Desempenho das exportações dos EUA e da América do Sul nas próximas semanas.

Esses fatores tendem a ditar o humor das cotações em Chicago e, por tabela, influenciar todo o ecossistema de investimento ligado ao agronegócio, da Bolsa brasileira à inflação doméstica.

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