Inflação dos EUA pode ficar acima da meta até 2028, diz economista-chefe do Conference Board

Camila RochaCamila RochaDificuldades e desafios2 minutos atrás9 Visualizações

A inflação norte-americana não deve convergir para a meta de 2% do Federal Reserve antes de 2028. O alerta partiu de Dana M. Peterson, economista-chefe do The Conference Board, em entrevista ao canal Fox. Segundo ela, choques recentes — como tarifas comerciais e tensões geopolíticas — ainda repercutem nas cadeias de suprimento, sustentando preços altos no curto e no médio prazo.

Como isso afeta o bolso do consumidor

  • Preços ainda elevados: gasolina recuou pontualmente, mas alimentos, moradia, saúde e seguros seguem pressionando o orçamento das famílias.
  • Mudança no carrinho de compras: os norte-americanos já trocam itens caros por versões mais baratas e dão prioridade a bens essenciais em vez de supérfluos.
  • Bens duráveis em baixa: produtos de alto tíquete, como eletrodomésticos ou carros, perdem espaço na lista de compras, refletindo a renda disponível menor.

Visão das empresas: confiança em queda

O Índice de Confiança dos CEOs, calculado pelo Conference Board, caiu de 59 para 47 pontos entre o primeiro e o segundo trimestre — qualquer leitura abaixo de 50 indica mais avaliações negativas que positivas sobre a economia.

  • Apenas 15% dos executivos acham que a economia melhorou nos últimos seis meses; 47% enxergam piora.
  • Quatro em cada dez preveem condições mais fracas no semestre à frente.
  • 31% planejam reduzir quadro de pessoal, sobretudo em setores que investem pesado em automação, como tecnologia, finanças, transporte e varejo on-line.

Juros altos por mais tempo

Se a inflação permanecer acima da meta, o Federal Reserve tende a manter a taxa de juros em níveis restritivos por um período prolongado. Para investidores brasileiros, isso costuma significar:

  • Dólar mais forte: juros altos nos EUA atraem capitais para títulos americanos, pressionando moedas emergentes.
  • Volatilidade na Bolsa: a saída de recursos estrangeiros pode aumentar oscilações no Ibovespa, especialmente em empresas mais sensíveis ao câmbio.
  • Selic sob vigilância: se o diferencial de juros entre Brasil e EUA diminuir muito, o Banco Central brasileiro pode ter menos espaço para cortar a taxa básica.
  • Renda fixa global: títulos do Tesouro dos EUA passam a pagar prêmios mais atraentes, mas sempre em dólar, o que envolve risco cambial para o investidor local.

Mercado de trabalho segue como termômetro

Apesar do cenário de preços altos, Peterson não projeta recessão para os próximos seis meses. Ela recomenda acompanhar os pedidos semanais de seguro-desemprego — se esses números saltarem de forma consistente, pode ser sinal de desaceleração mais séria.

Inflação dos EUA pode ficar acima da meta até 2028, diz economista-chefe do Conference Board - Imagem do artigo original

Imagem: Kristen Altus FOXBusiness

O que observar daqui para frente

  • Próximas leituras do Consumer Price Index (CPI) e do PCE, o indicador preferido do Fed.
  • Resultados corporativos de empresas sensíveis a custos de energia, fertilizantes e insumos agrícolas.
  • Evolução das negociações geopolíticas que impactam commodities.
  • Decisões de política monetária do Fed e, no Brasil, do Copom.

Para o investidor iniciante, entender a dinâmica entre inflação, juros e comportamento do consumidor ajuda a interpretar movimentos do dólar, da Bolsa e da renda fixa. Mesmo sem fazer previsões de retorno, acompanhar esses indicadores permite tomar decisões mais informadas sobre alocação de risco e proteção de carteira.

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