O Bitcoin (BTC) voltou a flertar com a marca de US$ 62.000 na abertura de Wall Street desta segunda-feira (13), movimento que refletiu o aumento da aversão a risco provocado pela nova disputa entre Estados Unidos e Irã pelo controle do Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial.
O que detonou a pressão sobre o preço
- O presidente norte-americano Donald Trump declarou à Fox News que os EUA “irão comandar” o estreito fechado pelo Irã no fim de semana.
- Depois da fala, o barril do WTI manteve-se firme perto de US$ 75, alimentando temores de inflação global mais alta.
- Nos EUA, o Nasdaq Composite abriu em queda de 1%, sinalizando migração de investidores para posições mais defensivas.
Bitcoin acompanha o humor de risco
- Gráficos intradiários mostraram a criptomoeda descendo em direção ao suporte de US$ 62 mil, região que coincide com a mVWAP – média de preço ponderada por volume utilizada para medir o valor “justo” de curto prazo.
- Contas de análise identificaram um “massive shorting”, ou seja, um pico nas apostas de queda (vendas a descoberto) momentos antes da abertura de Nova York.
- O aumento no open interest indica que novos contratos futuros foram criados, ampliando a alavancagem do mercado.
Por que US$ 60 mil volta ao radar
Se o suporte na mVWAP falhar, analistas alertam que o preço pode buscar novamente a faixa de US$ 60.000. Esse patamar funcionou como piso psicológico em outras correções recentes e tende a concentrar ordens de compra de investidores de longo prazo.
Ainda há quem fale em retorno a US$ 70 mil
- Alguns traders, como o perfil Roman, veem sinais de “exaustão vendedora” em indicadores como Índice de Força Relativa (RSI) e volume.
- Segundo eles, caso o fluxo de venda perca ímpeto e surja demanda à vista em Nova York, um repique até a região entre US$ 70-75 mil não estaria descartado.
Relação com juros, dólar e mercado brasileiro
- Um petróleo mais caro pode dificultar o cenário de desaceleração da inflação, pressionando novamente as curvas de juros globais.
- Caso o dólar se fortaleça diante dessas incertezas, ativos de risco – inclusive ações brasileiras e criptomoedas – tendem a sentir maior volatilidade.
- Para o investidor local, o ambiente reforça a importância de acompanhar a trajetória da Selic e as emissões do Tesouro Direto, que costumam ganhar atratividade em janelas de estresse externo.
O que observar nos próximos dias
- Desdobramentos diplomáticos sobre o Estreito de Ormuz e a reação do preço do petróleo.
- Evolução dos indicadores de posicionamento em Bitcoin: volume à vista, open interest e saldo de stablecoins nas corretoras.
- Agenda de dados macro nos EUA, que pode alterar expectativas para a política monetária do Federal Reserve.
Enquanto os mercados buscam um novo ponto de equilíbrio, a combinação de geopolítica, commodities e juros segue comandando o curto prazo dos ativos de risco — e o Bitcoin, hoje, não foge à regra.
Imagem: Reprodução | Trader Iniciante