Inflação desacelera nos EUA e mercado descarta novas altas de juros pelo Fed

Camila RochaCamila RochaDificuldades e desafios22 horas atrás21 Visualizações

O alívio duplo vindo dos índices de preços ao produtor (PPI) e ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos pegou Wall Street de surpresa e, por enquanto, tirou do radar a possibilidade de novas altas de juros pelo Federal Reserve (Fed).

O que mostram os números

  • PPI recuou 0,3% em junho, após avanço de 0,6% em maio e 1,1% em abril.
  • O CPI divulgado no dia anterior também apontou movimento deflacionário.
  • O salário real médio por hora subiu 0,8% em junho, o maior ganho mensal em 11 anos, desconsiderando o período da pandemia.
  • A expectativa de inflação embutida nos títulos de 2 anos (break-even) caiu para 1,89%, abaixo da meta de 2% do Fed.

Por que o mercado mudou de ideia sobre os juros

Com a inflação recuando, investidores passaram a ver a manutenção da taxa básica norte-americana como o cenário mais provável até o fim do ano. Segundo analistas citados na reportagem original, o Fed só deverá reavaliar sua estratégia após receber os relatórios de cinco forças-tarefa lideradas por Kevin Warsh, que estudam temas como métricas de inflação, balanço do banco central e produtividade.

Como isso afeta o bolso do investidor brasileiro

  • Dólar: menor pressão sobre os juros dos EUA costuma aliviar a moeda americana globalmente, o que pode influenciar a cotação do dólar frente ao real.
  • Fluxo para emergentes: sem perspectiva de aperto monetário adicional, parte do capital pode buscar rendimentos maiores em mercados como o brasileiro, impactando Bolsa e títulos locais.
  • Curva de juros doméstica: juros estáveis lá fora reduzem o risco de alta abrupta nos prêmios de títulos brasileiros, dando algum respiro aos investidores em renda fixa.

Matérias-primas e expectativas

O preço do petróleo WTI, que vinha pressionado pelo conflito com o Irã, estabilizou, e metais preciosos recuaram. Em paralelo, lucros corporativos e produtividade nos EUA seguem fortes, cenário que reforça a narrativa de “economia aquecida sem pressão inflacionária” – a chamada combinação Goldilocks, em referência ao conto da Cachinhos Dourados.

Inflação desacelera nos EUA e mercado descarta novas altas de juros pelo Fed - Imagem do artigo original

Imagem: Larry Kudlow FOXBusiness

Próximos pontos de atenção

  • Publicação dos relatórios das forças-tarefa do Fed, que podem redefinir a interpretação oficial sobre inflação e política monetária.
  • Dados de atividade e emprego nos EUA, que indicarão se o ganho real de salários será sustentável.
  • Evolução das tensões no Oriente Médio, capaz de impactar petróleo e expectativas de inflação.

Para o investidor iniciante, vale acompanhar como a trajetória dos juros norte-americanos influencia o humor global. Mesmo quem investe apenas em Bolsa brasileira ou Tesouro Direto é impactado pelos movimentos do Fed, pois eles afetam o custo de capital, o apetite por risco e, em última instância, o comportamento do dólar.

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