O Grupo Itajobi, que controla as usinas Itajobi, Carolo e Rio Pardo, recorreu ao Cejusc de São José do Rio Preto com um pedido de mediação empresarial e ingressou com medida cautelar antecedente para reorganizar um passivo de R$ 3,76 bilhões.
Por que usar a mediação e não a recuperação judicial?
- A mediação busca acordo rápido com credores, sem as exigências formais de uma recuperação judicial.
- Segundo o advogado William Matheus Martinez, o objetivo é evitar um processo que costuma se arrastar por anos e, nesse período, consumir caixa e desvalorizar ativos.
- No setor sucroenergético, empresas costumam recorrer à recuperação judicial apenas quando não há mais margem de negociação.
Contexto: custos no pico, preços em queda
- O custo por tonelada de cana-de-açúcar atingiu recorde na safra 2025/26.
- O indicador de qualidade da matéria-prima (ATR) recuou, reduzindo a rentabilidade.
- O açúcar cristal branco caiu para menos de R$ 100 por saca de 50 kg, piso que não era visto desde 2020.
- O etanol de milho já responde por cerca de um terço do mercado nacional de etanol combustível, aumentando a concorrência.
Esses fatores pressionam o caixa de usinas que dependem, majoritariamente, da cana. Para quem investe em ações ou títulos ligados ao agronegócio, preços mais baixos de açúcar e etanol tendem a reduzir margens e limitar dividendos – um ponto de atenção, especialmente num período de juros domésticos ainda elevados, que encarecem financiamentos de longo prazo.
Situação operacional das usinas
- Itajobi e Rio Pardo: seguem moendo normalmente.
- Carolo (Pontal): está em “hibernação técnica”, estratégia usada para preservar o ativo até que o mercado volte a remunerar melhor a operação. Mesmo assim, a planta recolheu R$ 16,95 milhões em tributos em 2024 e manteve 744 empregos diretos e 450 indiretos.
Riscos jurídicos adicionais
Algumas unidades foram citadas na Operação Carbono Oculto, mas o processo está em fase de coleta de provas. Não há condenação ou decisão que impeça o funcionamento das usinas, segundo o escritório que representa o grupo.
Imagem: Reprodução | Trader Iniciante
O que observar como investidor iniciante
- Endividamento elevado: dívidas grandes em setores de margem apertada aumentam o risco de inadimplência em títulos de crédito do agronegócio (CRA) ou debêntures emitidos por grupos sucroenergéticos.
- Sensibilidade a preços de commodities: açúcar e etanol têm cotação volátil. Oscilações afetam receitas rapidamente.
- Cenário de juros: enquanto o custo do dinheiro permanece alto, a rolagem de passivos de longo prazo tende a ficar mais cara, pressionando ainda mais o fluxo de caixa.
- Diversificação: quem investe em fundos ou ações expostos ao agronegócio precisa avaliar quanto do portfólio depende de cana-de-açúcar e qual a resiliência das empresas em diferentes cenários de preços.
A negociação da dívida do Grupo Itajobi evidencia como o atual ambiente de custos altos, queda nos preços das commodities e juros internos elevados exige atenção redobrada de quem acompanha o setor sucroenergético.