ETF brasileiro que replica S&P 500 soma câmbio e bate índice em 40% na última década

Mariana CostaMariana CostaRenda Fixa5 minutos atrás22 Visualizações

Um dos caminhos mais acessíveis para o investidor brasileiro acompanhar o desempenho das maiores empresas dos Estados Unidos é o ETF SPXU11, listado na B3. Segundo levantamento de Leonardo Vasques, gestor da XP Asset Management, esse fundo entregou um retorno 40% superior ao do próprio S&P 500 medido em dólar no período de dez anos.

Como um ETF nacional ganhou do S&P 500

O SPXU11 replica o S&P 500 e, ao mesmo tempo, carrega contratos futuros de dólar negociados no Brasil. Na prática, o cotista compra dois fatores de risco num único ticker: o desempenho das 500 maiores companhias americanas e a oscilação cambial. Quando o real se desvaloriza — movimento frequente na última década — o retorno em reais é inflado, explicando a vantagem de 40% sobre o índice em moeda norte-americana.

Efeito cambial entra em cena

  • Real x dólar: de 2014 a 2024, o real acumulou forte depreciação. Esse enfraquecimento adicionou rendimento ao investidor do SPXU11.
  • Selic em alta: juros domésticos elevados tendem a atrair capital estrangeiro, mas também aumentam a volatilidade na taxa de câmbio quando o cenário fiscal fica incerto.
  • Inflação: pressões de preços no Brasil costumam levar o Banco Central a subir a Selic, afetando o real e o resultado de ETFs que misturam ativos globais e moeda.

Proteção ou exposição? Entenda as versões

Quem prefere não se expor ao câmbio encontra o USPXH11, que faz hedge (proteção) contra a variação do dólar. Nesse caso, o investidor recebe apenas o retorno do índice americano. A escolha entre as duas versões depende do objetivo: participar da valorização cambial ou neutralizar esse risco.

ETFs ainda são minoria na carteira do brasileiro

Apesar do crescimento, os ETFs representam cerca de 1% da indústria de fundos no país, bem abaixo de mercados desenvolvidos. Gestores lembram que, nos Estados Unidos, veículos passivos já dominam a prateleira. Estudos da S&P mostram que apenas 10% dos fundos ativos por lá superam o S&P 500 no longo prazo; no Brasil, a fatia varia de 10% a 20%. O dinheiro que não vê valor em pagar taxas altas por uma gestão que perde do índice tende a migrar para ETFs.

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Imagem: Reprodução | Trader Iniciante

O que observar como investidor iniciante

  • Alocação internacional: produtos como o SPXU11 permitem diversificar fora do Brasil sem abrir conta no exterior.
  • Risco cambial: a mesma dinâmica que ampliou ganhos pode ampliar perdas se o real se valorizar.
  • Custo: verifique a taxa de administração; mesmo em ETFs ela varia de gestora para gestora.
  • Liquidez: acompanhe o volume diário negociado para entender a facilidade de entrada e saída do investimento.

A multiplicação de ETFs de ações, renda fixa, ouro e até criptomoedas tende a ampliar o cardápio disponível na B3 nos próximos anos. Para o investidor que inicia a jornada, entender a combinação entre índice, câmbio, juros e inflação é passo fundamental antes de qualquer aporte.

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